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A gata que fez uma comunidade se virar contra os carros autônomos do Google

Atropelamento de animal conhecido da comunidade reacende debate sobre testes da Waymo em vias públicas e pressiona autoridades por novas regras

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A gata que fez uma comunidade se virar contra os carros autônomos do Google

Foto de Divulgação / Crédito: Luis Andreoli

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A morte de Kit Kat, uma gata malhada de nove anos conhecida e adotada informalmente pelos moradores do distrito Mission, em São Francisco, transformou um debate técnico em uma comoção pública. O animal, apelidado de “prefeita da Rua 16”, morreu atropelado no fim de 2025 por um táxi-robô Jaguar I-Pace da Waymo, empresa de veículos autônomos controlada pela Alphabet, dona do Google.
 
Jaguar I-Pace usado como carro autônomo de testes da Waymo, empresa do Google — Foto: Divulgação
 
 
O episódio não foi o primeiro incidente envolvendo carros autônomos na região, mas ganhou proporções inéditas pela relação afetiva entre a comunidade e o animal. A comoção acabou se convertendo em pressão política, com pedidos formais para restringir ou até barrar testes de veículos sem motorista em vias públicas da cidade.
 
Comunidade acusa empresas de usar bairros como “laboratórios”
 
Moradores do Mission afirmam que a Waymo e outras empresas do setor tratam bairros residenciais como campos de teste, sem considerar os impactos locais. Entre as queixas estão bloqueios de vias por veículos autônomos, paradas irregulares, interferência em serviços de emergência e riscos para pedestres, ciclistas e animais.
 
Em 2025, o Departamento de Veículos Motorizados da Califórnia registrou 112 ocorrências envolvendo veículos autônomos, sendo 65 delas relacionadas a táxis da Waymo.
 
“Esse tipo de transporte traz uma série de problemas para a comunidade, como a substituição de empregos humanos, o aumento dos congestionamentos e a coleta de dados dos passageiros”, afirmou Jackie Fielder, integrante do Conselho de Supervisores de São Francisco. Ela defende uma proposta que permita aos moradores votar sobre a autorização da circulação de veículos autônomos em seus bairros.
 
Waymo lamenta caso, mas operação segue
 
A Waymo lamentou publicamente a morte de Kit Kat e informou que realizou uma doação a uma entidade local de proteção animal. A empresa, no entanto, manteve suas operações normalmente. Como forma de homenagem, moradores criaram um memorial para a gata na Rua 16.
 
Segundo o tutor do animal, Mike Zeidan, a dor foi ampliada pela ausência de um responsável humano direto. “Não foi uma pessoa que matou a gatinha, mas eu gostaria que fosse uma pessoa só para que pudéssemos concentrar nossa energia nela”, desabafou.
 
Expansão global e dilemas éticos
 
Apesar da repercussão, o caso não deve interromper o avanço dos veículos autônomos. Estados Unidos e China lideram esse mercado. Nos EUA, os táxis autônomos começaram a circular em 2018, com a Waymo operando atualmente cerca de 700 veículos de nível 4 de automação, que dispensam motorista.
 
Na China, mais de 16 mil licenças já foram emitidas para testes de carros e ônibus autônomos. Empresas como AutoX, da Alibaba, e Apollo Go, da Baidu, lideram o setor. Outros países, como Japão, França, Alemanha e Reino Unido, também avançam em projetos semelhantes.
 
Um debate que vai além da tecnologia
 
O atropelamento de Kit Kat reacendeu discussões antigas sobre os limites éticos da automação. A tragédia trouxe à memória declarações feitas ainda em 2016, quando executivos do setor admitiam que, em situações extremas, algoritmos poderiam priorizar a segurança dos ocupantes do veículo em detrimento de terceiros.
 
Mais do que um acidente isolado, o caso expôs um dilema central da mobilidade autônoma: quem paga o preço quando decisões são tomadas por máquinas em espaços compartilhados com pessoas, animais e comunidades inteiras.

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