Estudo com mais de 22 mil veículos aponta que recarga rápida acima de 100 kW acelera o desgaste e pode reduzir a autonomia ao longo do tempo
A bateria é o componente mais caro de um carro elétrico e também o que mais gera dúvidas entre consumidores. A principal pergunta costuma ser direta: quanto a autonomia diminui com o passar dos anos? Um estudo recente da Geotab traz números concretos para ajudar a responder essa questão.
Com base em dados reais de telemetria de 22,7 mil veículos elétricos acompanhados ao longo de vários anos, a empresa identificou uma perda média de 2,3% da capacidade da bateria por ano. Na prática, isso significa que, após oito anos de uso, a bateria média ainda manteria cerca de 81,6% da capacidade original, índice considerado positivo dentro do setor.
Mudança em relação a estudos anteriores
A Geotab chama atenção para a evolução dos números. Em um levantamento divulgado em 2024, a degradação média era de 1,8% ao ano. No estudo mais recente, o índice voltou ao patamar de 2,3%.
Segundo a empresa, a mudança não indica piora na qualidade das baterias, mas sim uma alteração no perfil de uso. Com a ampliação da infraestrutura de carregamento rápido e a entrada de veículos mais novos na amostra, o comportamento dos usuários passou a influenciar mais diretamente os resultados.
Recarga rápida é o principal fator de desgaste
O estudo aponta que a potência de carregamento é hoje o fator que mais impacta a saúde da bateria. Veículos que utilizam com frequência a recarga rápida em corrente contínua acima de 100 kW podem apresentar degradação de até 3,0% ao ano.
Em contrapartida, carros que carregam majoritariamente em potências menores ou em corrente alternada (AC) registram taxas próximas de 1,5% ao ano. A conclusão da Geotab é que a bateria continua robusta, mas o modo de carregamento passou a ter papel decisivo na velocidade de envelhecimento.
Clima influencia, mas em menor grau
O levantamento também considera o fator climático. Veículos que operam em regiões mais quentes tendem a degradar cerca de 0,4 ponto percentual a mais por ano em comparação aos que circulam em climas amenos. Ainda assim, a empresa destaca que o impacto do calor é menor do que o provocado pelo uso intenso de carregadores de alta potência.
Diferença entre carros e vans elétricas
Outro dado relevante é a variação conforme o tipo de veículo. Vans e veículos multiuso apresentaram uma taxa média de degradação de 2,7% ao ano, enquanto carros de passeio ficaram em torno de 2,0% ao ano.
A explicação está no uso mais intenso desses modelos, especialmente em aplicações comerciais, que exigem recargas mais frequentes e ciclos de trabalho mais severos, acelerando o desgaste das baterias.
Os dados reforçam que, embora a degradação seja inevitável, há formas de prolongar a vida útil da bateria, principalmente com o uso equilibrado da recarga rápida e atenção às condições de operação do veículo elétrico.