Carro elétrico mais vendido do Brasil ganhou ajustes importantes em suspensão e uso diário, mas mantém limitações em desempenho, garantia e multimídia.
O BYD Dolphin Mini 2026 segue como o carro elétrico mais vendido do Brasil e tenta, nesta nova linha, se aproximar de um conjunto mais equilibrado. O modelo recebeu melhorias relevantes na dinâmica de condução, especialmente onde mais era criticado, mas ainda preserva alguns velhos vícios que impedem o hatch elétrico de chegar perto da perfeição.
Produzido no Brasil desde o ano passado, na fábrica de Camaçari, na Bahia, o Dolphin Mini passou por ajustes pontuais, mantendo a fórmula que o colocou no topo do segmento, mas corrigindo falhas importantes do uso diário.
Versão única e preço competitivo
A linha 2026 abandonou a versão de quatro lugares. Agora, o Dolphin Mini é vendido apenas na configuração GS, sempre com cinco passageiros, ao preço de R$ 119.990.
Com esse valor, o modelo ocupa a posição de segundo carro elétrico mais barato do Brasil, ficando atrás apenas do Renault Kwid E Tech, que custa menos, mas acomoda somente quatro ocupantes.
Garantia exige atenção
A garantia é um dos pontos que exigem leitura cuidadosa. São seis anos para o veículo e oito anos para motor e bateria, mas há restrições importantes. Em uso comercial, a cobertura do carro cai para dois anos ou 100 mil quilômetros, enquanto alguns componentes têm prazos bem menores.
Itens como suspensão, borrachas, lanternas e faróis têm cobertura de três anos. Pastilhas e discos de freio contam com apenas seis meses, e o óleo lubrificante, três meses. Apesar disso, o custo das cinco primeiras revisões até 100 mil quilômetros é competitivo e soma R$ 3.728, bem abaixo de modelos a combustão equivalentes.
Visual quase inalterado
Visualmente, o Dolphin Mini 2026 quase não mudou. O desenho segue moderno, com faróis de LED próximos ao capô e lanternas traseiras interligadas. A principal novidade está na retirada da inscrição “Build Your Dreams” da tampa traseira, substituída apenas pelo logotipo da BYD.
As rodas de liga leve de 16 polegadas ganharam novo desenho, e a nova cor Azul Glacial passou a integrar a paleta.
Dimensões compactas e bom espaço interno
As dimensões permanecem inalteradas. O hatch mede 3,78 metros de comprimento, 1,72 metro de largura, 1,58 metro de altura e tem entre eixos de 2,50 metros. Apesar do porte compacto, o espaço interno surpreende, especialmente para as pernas no banco traseiro.
O porta malas tem 230 litros, número superior ao de alguns subcompactos, mas ainda limitado. O espaço é parcialmente ocupado pelo cabo de carregamento e pelo kit de reparo, já que não há estepe.
Acabamento agrada mas falta opção neutra
O acabamento é um dos pontos altos do Dolphin Mini. O interior tem visual moderno e conta com bons materiais macios ao toque no painel. O excesso de plástico rígido não incomoda, algo raro entre compactos dessa faixa de preço.
O problema está na escolha de cores. As opções azul ou rosa não agradam a todos. Uma alternativa neutra faria diferença para quem busca algo mais discreto.
O painel de instrumentos digital tem 7 polegadas, enquanto a central multimídia giratória possui 10,1 polegadas. A conectividade sem fio agora funciona tanto para Android Auto quanto para Apple CarPlay, avanço importante na linha 2026.
Multimídia ainda decepciona
Apesar da melhoria na conectividade, o software segue como um ponto fraco. O uso do Waze apresenta travamentos frequentes, e o pareamento do celular só funciona com a tela na posição horizontal, o que coloca em xeque a utilidade do sistema giratório.
Também fazem falta botões físicos para o ar condicionado. O porta objetos central gera ruídos com o movimento da chave, e o carregador por indução deixa o celular muito exposto.
Lista de equipamentos é destaque
Em compensação, o Dolphin Mini 2026 entrega uma lista de equipamentos difícil de encontrar em carros a combustão do mesmo valor. São seis airbags, freio de estacionamento eletrônico, controle de cruzeiro, câmera de ré de boa qualidade, sensores traseiros, freios a disco nas quatro rodas e ajuste elétrico do banco do motorista.
Autonomia e desempenho urbano
Segundo o Inmetro, a autonomia é de 280 quilômetros, graças à bateria Blade de 38 kWh. O número supera com folga o principal rival e atende bem ao uso urbano.
Em carregadores rápidos de corrente contínua, é possível ir de 30% a 80% em cerca de 30 minutos. Em carregadores residenciais, o tempo gira em torno de seis horas. O custo para uma carga completa é baixo, cerca de R$ 30, considerando a tarifa média nacional divulgada pela Aneel.
O motor elétrico entrega 75 cavalos de potência e 13,8 kgfm de torque. O desempenho é suficiente para a cidade, com boas arrancadas iniciais no modo Sport. Já em velocidades mais altas, o fôlego acaba rápido, e o 0 a 100 km/h leva cerca de 14,5 segundos. A velocidade máxima é de 130 km/h.
Suspensão finalmente corrigida
A principal melhoria da linha 2026 está na suspensão. O excesso de balanço traseiro, muito criticado anteriormente, foi eliminado. A BYD não detalha as alterações, mas o resultado é claro. O carro está mais firme, confortável e previsível, especialmente em pisos irregulares.
O conjunto segue com suspensão independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira, mas o acerto está mais adequado à proposta do carro.
Vale a pena
O BYD Dolphin Mini 2026 não é perfeito, mas evoluiu exatamente onde mais precisava. Ainda há ajustes a serem feitos em multimídia, desempenho e política de garantia, porém as melhorias na suspensão e na experiência de uso consolidam o modelo como referência entre os elétricos urbanos.
Ao invés de buscar a perfeição, a BYD apostou na evolução. E, nesse ponto, acertou em cheio.
Pontos positivos
Suspensão melhorada
Bom acabamento interno
Apple CarPlay sem fio
Pontos negativos
Porta malas pequeno
Desempenho limitado em estrada
Garantia com muitas exceções