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Como os preços da gasolina, do etanol e do diesel são definidos no Brasil

Valor pago pelo consumidor reúne custos de produção, impostos, mistura obrigatória, logística e margem de distribuição; entenda o que pesa em cada combustível

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Como os preços da gasolina, do etanol e do diesel são definidos no Brasil

Foto de Divulgação / Crédito: Luis Andreoli

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Na hora de abastecer, o valor exibido na placa do posto parece um número único. Na prática, porém, o preço final da gasolina, do etanol e do diesel é resultado de uma cadeia longa e regulada, que começa na produção ou importação do combustível e termina na bomba. Ao longo desse percurso entram tributos federais e estaduais, custos de logística, mistura obrigatória de biocombustíveis e a margem de distribuição e revenda.
 
Como a precificação é livre em cada etapa, dentro das regras do setor, a participação de cada parcela varia conforme a região e o momento econômico. Ainda assim, dados consolidados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) permitem entender a lógica da formação de preços no país.
 
Como o preço da gasolina é formado
 
 
Na gasolina comum, o valor médio pago pelo consumidor é composto por diferentes parcelas. Cerca de 30% correspondem ao custo do combustível na refinaria ou importado, influenciado pelos preços internacionais do petróleo, pela cotação do dólar e pelas condições de oferta e demanda.
 
Outro componente relevante é o etanol anidro, misturado obrigatoriamente à gasolina em proporção de 27% em volume. Essa parcela representa, em média, entre 15% e 17% do preço final, dependendo do valor do etanol no período.
 
Os impostos também têm peso significativo. O ICMS, tributo estadual com valor fixo de R$ 1,57 por litro, responde por aproximadamente 25% do preço. Já os tributos federais, como PIS/Cofins e Cide, representam cerca de 11%.
 
Por fim, cerca de 18% do valor pago corresponde à distribuição e à margem dos postos, que inclui custos operacionais, transporte, armazenamento e lucro.
 
Atualmente, segundo dados da Petrobras, o preço médio nacional da gasolina é de R$ 6,31 por litro. Desse total, R$ 1,80 correspondem à parcela da Petrobras, R$ 1,57 ao ICMS, R$ 1,05 ao etanol anidro, R$ 0,68 aos tributos federais e R$ 1,21 à distribuição e revenda.
 
Como o preço do diesel é definido
 
No diesel, a estrutura de custos é diferente. O peso do combustível na refinaria ou importado é maior, representando cerca de 45% do valor final, o que torna o diesel mais sensível a variações internacionais e cambiais.
 
O biodiesel, misturado obrigatoriamente ao diesel, responde por cerca de 14% do preço final. Embora o percentual em volume seja menor que o do etanol na gasolina, o custo do biodiesel costuma ser mais elevado.
 
O ICMS tem participação média de 19%, com valor fixo de R$ 1,17 por litro. Já os tributos federais têm peso menor, em torno de 5%. A distribuição e a margem dos postos representam aproximadamente 16% do valor pago pelo consumidor.
 
Como o preço do etanol é formado
 
No etanol hidratado, vendido diretamente ao consumidor, a formação de preços é mais simples, porém bastante variável. Entre 45% e 50% do valor final correspondem ao custo de produção nas usinas, que depende da safra da cana de açúcar, das condições climáticas, da produtividade agrícola e dos custos industriais.
 
O ICMS é o principal tributo incidente sobre o etanol, representando entre 20% e 30% do preço, com valor fixo de R$ 1,57 por litro. Os tributos federais têm peso reduzido e, em alguns períodos, podem estar zerados.
 
A distribuição e a margem dos postos respondem por cerca de 20% a 25% do valor final, sendo fortemente influenciadas pela logística. Quanto maior a distância entre a usina e o posto, maior tende a ser o preço.
 
Por que o preço varia entre os estados
 
Dados da ANP mostram que estados como São Paulo costumam registrar preços de gasolina e etanol entre 5% e 10% menores do que regiões mais distantes dos polos produtores. A principal explicação está na logística. São Paulo concentra refinarias, bases de distribuição e grande parte das usinas de etanol, reduzindo custos de transporte.
 
Além disso, o nível de concorrência entre postos também influencia o preço final, gerando variações regionais mesmo quando os impostos e o custo do combustível são semelhantes.
 
O que faz o custo do combustível oscilar
 
No caso da gasolina e do diesel, as oscilações do preço do petróleo no mercado internacional são apenas parte da equação. O câmbio, os preços internacionais dos derivados, os custos de refino, importação e a disponibilidade global de produto também interferem.
 
Já no etanol, o principal fator é a dinâmica do setor sucroenergético, com influência direta da safra, do clima e da demanda. O biodiesel, por sua vez, tem custo ligado à oferta de matérias primas, como óleos vegetais, além das regras de mistura obrigatória.
 
Essas diferenças explicam por que gasolina, diesel e etanol reagem de formas distintas às mudanças econômicas e por que o impacto no preço final costuma ocorrer de maneira gradual. Nem sempre a variação acontece simultaneamente entre os combustíveis.

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