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Da engenharia à estrada como nasce um pneu e por que o processo é tão complexo

Desenvolvimento de um pneu começa junto com o projeto de um carro e envolve simulações virtuais, química avançada e testes rigorosos antes de chegar ao asfalto.

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Da engenharia à estrada como nasce um pneu e por que o processo é tão complexo

Foto de Divulgação / Crédito: Luis Andreoli

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Quando se fala em pneu, muita gente imagina apenas borracha moldada em formato redondo. Mas a realidade é bem mais complexa. A fabricação de um pneu começa muito antes de ele ganhar forma e envolve um processo longo, tecnológico e extremamente preciso. Visitas técnicas a fábricas do setor mostram que o componente mais simples aos olhos do motorista é, na prática, um dos mais sofisticados do automóvel.
 
O desenvolvimento de um pneu começa ainda na fase de criação de um carro novo. Quando uma montadora projeta um modelo ou uma nova versão, ela já encomenda pneus específicos para aquele veículo. Isso acontece porque suspensão, freios, consumo de combustível, nível de ruído e estabilidade dependem diretamente do comportamento do pneu, único ponto de contato do carro com o solo.
 
Do início dos estudos até a homologação final, o processo de desenvolvimento de um pneu pode levar, em média, dois anos.
 
Simulações antes da borracha existir
 
 
A primeira etapa é chamada de virtualização. Antes mesmo de ir para um laboratório físico, engenheiros criam modelos digitais completos do pneu. Nessas simulações são definidos aspectos como peso, dimensões, rigidez, elasticidade, densidade e desenho da banda de rodagem.
 
Com o uso de softwares avançados e inteligência artificial, é possível prever como o pneu vai se comportar em frenagens, curvas, piso molhado, desgaste, aquecimento e eficiência energética. Além de acelerar o desenvolvimento, essa etapa reduz o consumo de materiais e diminui impactos ambientais.
 
Na prática, o pneu já “roda” milhares de quilômetros no computador antes de existir fisicamente.
 
A ciência por trás da borracha
 
 
Após a fase virtual, o projeto segue para o laboratório químico. É ali que nasce a fórmula da borracha. Um único pneu pode utilizar até 16 compostos diferentes, cada um com uma função específica.
 
Borracha natural, borracha sintética, sílica, negro de fumo, óleos, resinas, plastificantes e aditivos são combinados para garantir aderência, durabilidade, dissipação de calor, menor resistência ao rolamento e melhor desempenho em frenagens.
 
Antes de liberar a produção em grande escala, pequenas amostras são testadas em laboratório. Tudo é medido com precisão para garantir que o material se comporte exatamente como foi projetado.
 
A fabricação ganha forma
 
Com a fórmula aprovada, os compostos seguem para a fase industrial. A mistura dos materiais ocorre em grandes máquinas, que transformam pós, grânulos e líquidos em uma massa homogênea. Depois disso, a borracha é esticada, cortada e moldada em lâminas que formarão cada parte do pneu.
 
É nesse momento que surgem a banda de rodagem, os flancos e as camadas internas. Cada etapa é monitorada em tempo real, já que qualquer variação de milímetros pode comprometer o desempenho final.
 
Em seguida, todos os componentes são montados na máquina de construção do pneu. O produto ainda está “cru”, semelhante a uma massa antes de ir ao forno.
 
Calor e pressão finalizam o processo
 
A etapa decisiva é a vulcanização. O pneu é submetido a altas temperaturas, que variam entre 140°C e 200°C, além de pressão controlada. É nesse processo que ele ganha elasticidade, resistência, formato definitivo e o desenho final da banda de rodagem.
 
Somente após essa fase o pneu está, de fato, pronto do ponto de vista físico.
 
Testes antes de chegar às ruas
 
Mesmo finalizado, o pneu ainda passa por uma série de testes rigorosos. Há inspeções visuais, análises automatizadas e simulações em máquinas que reproduzem anos de uso em poucas horas.
 
Sensores avaliam deformação, temperatura, vibração e ruído. Plataformas específicas medem a resistência ao rolamento e o comportamento sob carga e velocidade.
 
Antes da produção em larga escala, os pneus também são testados em pistas reais, onde pilotos especializados analisam frenagens, curvas, piso molhado, irregularidades e altas velocidades. Só após essa etapa o produto é liberado para o mercado.
 
Muito além da borracha
 
Fabricar um pneu vai muito além de moldar borracha. O processo envolve engenharia, química, tecnologia, precisão milimétrica e testes constantes. Tudo isso para garantir segurança, conforto e desempenho.
 
Antes de tocar o asfalto, o pneu já percorreu um longo caminho. Um trajeto invisível para quem dirige, mas essencial para cada curva, frenagem e viagem feita com segurança.

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