RIMA 300X250

Montadoras usam regra de importação para vender carros sem homologação completa no Brasil

Estratégia permite trazer até 99 unidades por modelo com base em certificações internacionais

Compartilhar via
Montadoras usam regra de importação para vender carros sem homologação completa no Brasil

Foto de Divulgação / Crédito: Luis Andreoli

Business

Receba todas as notícias gratuitamente no WhatsApp do RondoMotor.​

Desde a entrada em vigor do Proconve L8, em 2025, o Brasil passou a exigir padrões mais rigorosos de emissões de poluentes. Além disso, qualquer veículo comercializado no país precisa passar por um processo completo de homologação, que pode ultrapassar R$ 1 milhão em custos para as montadoras.
 
Diante desse cenário, algumas fabricantes têm adotado uma estratégia legal para viabilizar a venda de modelos de nicho: importar lotes limitados de até 99 unidades.
 
COMO FUNCIONA A ESTRATÉGIA
 
A legislação brasileira permite que veículos importados em quantidade inferior a 100 unidades por modelo utilizem dados de homologação de outros países, desde que atendam às exigências nacionais de segurança e emissões.
 
 
Na prática, isso reduz custos e acelera a chegada de modelos exclusivos ao mercado brasileiro.
 
CASOS NO BRASIL
 
Um dos exemplos mais recentes é o Toyota GR Yaris, lançado em pré-venda no país. Para viabilizar a operação, a marca trouxe dois lotes distintos de 99 unidades, separando versões com câmbio manual e automático, consideradas tecnicamente diferentes.
 
O modelo é equipado com motor 1.6 turbo de 304 cv e acelera de 0 a 100 km/h em 5,2 segundos.
 
Outro caso é o Toyota GR Corolla, que também chegou ao Brasil em lotes limitados, com versões distintas e produção controlada. O hatch esportivo segue disponível no mercado com motor de 304 cv.
 
A estratégia também foi adotada pela Honda com o Civic Type R, vendido em versão única com motor 2.0 turbo e câmbio manual, além da Volkswagen, que já utilizou o modelo para trazer o Golf GTE híbrido ao país.
 
POR QUE AS MARCAS FAZEM ISSO
 
O principal motivo é econômico. A homologação completa envolve testes, certificações e adaptações específicas para o mercado brasileiro, elevando significativamente os custos.
 
Para veículos de baixo volume, como esportivos ou modelos de nicho, esse investimento muitas vezes não se justifica.
 
IMPACTO NO MERCADO
 
A prática permite que consumidores brasileiros tenham acesso a modelos exclusivos que, de outra forma, dificilmente seriam vendidos oficialmente no país.
 
Por outro lado, os veículos chegam em quantidades limitadas e com preços elevados, reforçando o caráter de exclusividade.
 
CONCLUSÃO
 
A importação em lotes reduzidos não é ilegal, mas sim uma brecha prevista na legislação. Trata-se de uma estratégia utilizada pelas montadoras para equilibrar custos e ainda assim atender a um público específico interessado em modelos mais exclusivos.
 
Com isso, o mercado brasileiro segue recebendo veículos diferenciados, mesmo diante de regras cada vez mais rígidas.

Polícia pode usar tiro de borracha contra moto em fuga? Entenda os limites da lei

Caoa investe R$ 5 bilhões e inicia produção da Changan no Brasil