Ausência de fluxo de ar natural e maior carga térmica tornam o resfriamento menos eficiente em congestionamentos
É uma situação comum no trânsito urbano. O veículo permanece parado em congestionamentos e o ponteiro da temperatura começa a subir. Embora muitos motoristas interpretem o fenômeno como anormal, o comportamento é, em grande parte, esperado do ponto de vista térmico.
Geração constante de calor
Mesmo em marcha lenta, o motor continua operando e gerando calor. A combustão interna produz temperaturas extremamente elevadas, enquanto o sistema de arrefecimento trabalha para manter o conjunto dentro da faixa ideal, normalmente entre 90°C e 100°C.
O desafio surge quando o veículo deixa de se movimentar.
Papel fundamental do fluxo de ar
Em velocidades mais altas, como em rodovias, o ar atravessa o radiador continuamente. Esse fluxo natural remove calor de forma eficiente, reduzindo a necessidade de atuação constante da ventoinha elétrica.
No trânsito parado, esse mecanismo praticamente desaparece.
Sem deslocamento, o sistema passa a depender quase exclusivamente da ventoinha para forçar a troca térmica. Como consequência, a eficiência de resfriamento diminui e a temperatura tende a oscilar em níveis mais elevados.
Rodovia versus congestionamento
Em condições de cruzeiro, o resfriamento é favorecido pelo volume de ar incidente. A temperatura permanece estável e a ventoinha atua de forma pontual.
Já em congestionamentos, a ausência de ventilação natural aumenta a carga térmica do sistema. A ventoinha trabalha com maior frequência, o radiador absorve calor do ambiente e pequenas variações de temperatura tornam-se mais perceptíveis no painel.
Como reduzir riscos de superaquecimento
A prevenção começa na manutenção.
Verificar regularmente o nível e a qualidade do líquido de arrefecimento é essencial. Mangueiras, abraçadeiras, válvula termostática e ventoinha devem estar em perfeito funcionamento.
Em situações de temperatura elevada, reduzir cargas adicionais pode ajudar. Desligar temporariamente o ar-condicionado diminui o esforço térmico. Em casos extremos, o uso do aquecedor interno auxilia na dissipação de calor do motor.
Atenção aos sinais de alerta
Alguns indícios exigem ação imediata.
Elevação acentuada do ponteiro, vapor sob o capô, odores anormais ou luz de advertência indicam possível falha no sistema de arrefecimento.
Ignorar esses sinais pode resultar em danos severos, como empenamento de componentes internos e custos elevados de reparo.
Compreender a dinâmica térmica do motor ajuda o condutor a interpretar corretamente o comportamento do veículo e agir preventivamente.