Na hora de comprar um carro, muitos consumidores utilizam a capacidade do porta-malas como um dos principais critérios de escolha. No entanto, especialistas alertam que o volume divulgado pelas montadoras nem sempre representa o espaço realmente disponível para transportar bagagens.
 
Um exemplo é o Fiat Fastback. O SUV-cupê possui capacidade anunciada de 600 litros em um tipo de medição, mas registra 516 litros no padrão VDA, considerado uma das referências mais confiáveis do setor. A diferença de 84 litros mostra como um mesmo veículo pode apresentar números bastante distintos dependendo do método utilizado.
 
Nem todas as marcas seguem o mesmo padrão
 
Embora existam normas técnicas que orientem a medição do compartimento de carga, não há obrigação legal para que todas as fabricantes utilizem exatamente o mesmo critério na divulgação dos dados.
 
 
No Brasil, as referências mais conhecidas são as normas ABNT NBR 8281 e ABNT NBR ISO 3832, baseadas no método VDA, adotado originalmente pela indústria automotiva alemã.
 
Esse sistema utiliza blocos rígidos de um litro posicionados dentro do porta-malas até o limite em que a tampa possa ser fechada normalmente, simulando melhor o espaço realmente aproveitável pelos usuários.
 
Onde está a diferença?
 
Uma das principais divergências acontece na altura considerada durante a medição.
 
Enquanto o padrão VDA contabiliza o volume até a altura do tampão do porta-malas, algumas fabricantes utilizam cálculos que vão até o teto do veículo. Na prática, isso aumenta significativamente o número divulgado, mas inclui áreas que normalmente não deveriam ser utilizadas para transporte de bagagens, tanto por questões de segurança quanto de visibilidade.
 
Mesmo volume, espaço diferente
 
Outro fator que costuma gerar confusão é o formato interno do compartimento.
 
Dois carros podem apresentar exatamente a mesma capacidade em litros, mas acomodar quantidades diferentes de malas e objetos devido à largura, profundidade, altura e presença de obstáculos internos, como caixas de roda, degraus e recortes estruturais.
 
Por isso, um porta-malas com formato mais regular e abertura ampla pode ser mais funcional do que outro que apresenta maior volume na ficha técnica.
 
O que observar antes da compra
 
Especialistas recomendam que o consumidor não avalie apenas o número informado pela montadora.
 
Além de verificar qual método foi utilizado para a medição, o ideal é abrir o porta-malas, observar seu formato e, sempre que possível, testar o espaço com objetos semelhantes aos que serão transportados no dia a dia.
 
Na prática, um compartimento bem aproveitado pode oferecer mais utilidade do que outro com capacidade superior no papel.
 
Por isso, na hora de comparar veículos, o tamanho do porta-malas deve ser analisado com cautela. Mais importante do que os litros anunciados é entender como aquele espaço funciona na rotina do proprietário e se realmente atende às suas necessidades.