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Programa reduziu drasticamente as mortes no trânsito e virou referência mundial

Estratégia adotada pela Suécia mudou infraestrutura, limites de velocidade e responsabilidade no tráfego

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Programa reduziu drasticamente as mortes no trânsito e virou referência mundial

Foto de Divulgação / Crédito: Luis Andreoli

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Reduzir drasticamente as mortes no trânsito parecia um objetivo distante no fim do século passado, mas um país europeu conseguiu transformar essa meta em política pública eficaz. A Suécia adotou um conjunto de medidas estruturais e educativas que fez a taxa de mortalidade no trânsito cair de quase 10 para 2,1 mortes por 100 mil habitantes, tornando-se referência internacional em segurança viária.
 
A mudança começou nos anos 1990, quando o país enfrentava índices considerados aceitáveis para a época, mas ainda preocupantes. Enquanto o Brasil registrava cerca de 36,9 mortes por 100 mil habitantes naquele período, os suecos decidiram que nenhuma morte no trânsito deveria ser tratada como inevitável.
 
Dessa reflexão surgiu, em 1995, o programa Vision Zero (Visão Zero), criado a partir de um princípio simples: seres humanos cometem erros, e o sistema de trânsito precisa ser projetado para que essas falhas não resultem em mortes ou ferimentos graves.
 
Mais do que uma campanha, o Vision Zero estabeleceu uma mudança ética e estrutural. O foco deixou de ser apenas o comportamento individual e passou a envolver infraestrutura viária, engenharia de tráfego e segurança veicular. Ambientes urbanos foram reprojetados para proteger usuários mais vulneráveis, como pedestres e ciclistas. Cruzamentos perigosos deram lugar a rotatórias, estradas passaram a contar com barreiras centrais para evitar colisões frontais e fabricantes foram estimulados a investir em tecnologias de segurança.
 
Os limites de velocidade também foram redefinidos com base em estudos científicos. Em áreas urbanas, estabeleceu-se que 30 km/h é o limite máximo compatível com a sobrevivência em casos de atropelamento. Já nas rodovias, a velocidade considerada mais segura passou a ser de 100 km/h. O cumprimento dessas regras é rigorosamente monitorado por câmeras, com penalidades severas para quem desrespeita a legislação.
 
O programa foi oficialmente aprovado pelo parlamento sueco em 1997 e, ao longo das décadas seguintes, apresentou resultados consistentes. Em 2021, a taxa de mortes no trânsito chegou a 2,1 por 100 mil habitantes, mesmo com o aumento da frota de veículos no país. A meta agora é alcançar zero morte nos próximos anos.
 
O sucesso do Vision Zero fez com que o modelo fosse adotado ou adaptado por outros países, como Holanda, Alemanha e Nova Zelândia, além de estados dos Estados Unidos, Canadá e da região de Haryana, na Índia país que ainda enfrenta índices elevados de mortalidade no trânsito.
 
Embora a realidade sueca seja diferente da brasileira em termos de território, renda e educação, especialistas apontam que muitas das medidas adotadas podem ser replicadas. Entre elas estão a inclusão obrigatória da educação para o trânsito nas escolas desde o ensino fundamental e a compreensão de que erros humanos não devem ter consequências fatais.
 
A experiência da Suécia mostra que reduzir mortes no trânsito não depende apenas de campanhas de conscientização, mas de decisões políticas, investimento contínuo e prioridade absoluta à vida.

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