Produto fora do padrão afeta desempenho, aumenta o consumo e pode gerar danos mecânicos de alto custo
Economizar alguns centavos por litro pode até parecer vantagem imediata, mas o uso de combustível adulterado segue como uma das principais causas de danos mecânicos evitáveis no Brasil. Gasolina e etanol fora das especificações comprometem o funcionamento do motor, elevam o consumo e, em casos mais graves, provocam falhas que exigem reparos caros.
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que as irregularidades seguem padrões claros durante as fiscalizações. Na gasolina, os problemas mais comuns envolvem percentual incorreto de etanol anidro, falhas no padrão de destilação e presença de metanol. Já no etanol hidratado, aparecem desvios no teor alcoólico, condutividade elétrica fora do padrão e contaminação por metanol.
Como a adulteração afeta o motor e o sistema de combustível
Segundo Clayton Zabeu, da Engenharia Mecânica do Instituto Mauá de Tecnologia, os danos variam conforme o tipo de adulteração. “Quando a gasolina recebe solventes ou nafta, a octanagem cai, criando condições para a detonação, conhecida como batida de pino. Em uso sob alta carga, isso pode causar danos graves ao motor”, explica.
A presença de metanol é considerada ainda mais prejudicial. “O metanol pode provocar falhas sérias em bicos injetores e bombas de combustível, tanto as elétricas do tanque quanto as de alta pressão, usadas em sistemas de injeção direta”, afirma.
No caso do etanol, o excesso de água acelera processos de corrosão. “Teores elevados de água aumentam significativamente a taxa de corrosão dos componentes do sistema de alimentação”, completa o engenheiro.
Um único abastecimento pode causar prejuízo imediato?
Em determinadas situações, sim. De acordo com Zabeu, a gravidade não está apenas no uso recorrente. “Dependendo do tipo e da intensidade da adulteração, um único abastecimento pode gerar danos imediatos.”
Ele cita como exemplo a gasolina fortemente adulterada com solventes. “Se a octanagem for drasticamente reduzida, o motor pode sofrer danos catastróficos, como quebra de pistões e anéis, especialmente quando submetido a acelerações ou uso em alta carga.”
Sinais de combustível fora de especificação
Identificar o problema nem sempre é simples, mas alguns indícios costumam surgir logo após o abastecimento. Entre os principais sinais estão:
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Aumento repentino do consumo, especialmente quando há excesso de etanol na gasolina
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Falhas e hesitações na aceleração
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Perda de desempenho
Em casos de adulteração com solventes, o consumo pode não mudar de forma evidente, mas o risco de dano mecânico permanece elevado.
O que fazer ao suspeitar de combustível adulterado
Ao perceber qualquer comportamento anormal, a recomendação é agir com cautela. “Se possível, o ideal é drenar o tanque e substituir o combustível por outro de origem confiável”, orienta o especialista.
Quando isso não for viável, a orientação é evitar exigir o motor, não usar altas rotações e dirigir de forma moderada até a substituição do combustível.
Fiscalização e papel do consumidor
A ANP atua com monitoramento estatístico e fiscalizações baseadas em inteligência para coibir irregularidades. As punições incluem autos de infração, interdições e multas que podem chegar a R$ 5 milhões.
O consumidor também pode contribuir denunciando suspeitas pelos canais oficiais da Agência. Embora a taxa média de conformidade dos combustíveis no Brasil seja elevada, o risco ainda existe.
Desconfiar de preços muito abaixo da média, observar o comportamento do veículo após o abastecimento e priorizar postos de confiança continuam sendo as formas mais eficazes de evitar que uma economia momentânea termine em prejuízo na oficina.