A durabilidade da bateria ainda é uma das principais preocupações de quem pensa em comprar um carro elétrico usado. O alto custo de substituição faz muitos consumidores acreditarem que esses veículos perdem rapidamente sua autonomia. No entanto, levantamentos recentes mostram que a realidade é bem diferente.
Dados de empresas especializadas no monitoramento de frotas elétricas indicam que a degradação das baterias ocorre de forma lenta, mantendo boa parte da capacidade original mesmo após vários anos de uso. Isso fortalece o mercado de seminovos e reduz uma das maiores dúvidas de quem pretende migrar para a eletrificação.
Baterias degradam menos do que se imaginava
Estudos realizados pela Geotab apontam que a perda média de capacidade das baterias de íons de lítio é de aproximadamente 2,3% ao ano. Outro levantamento da consultoria Recurrent encontrou um índice ainda menor, de cerca de 1,8% ao ano.
Na prática, isso significa que muitos veículos elétricos ainda preservam boa parte da autonomia mesmo após três, cinco ou até dez anos de utilização.
Um exemplo citado é o de um BYD Dolphin 2023, que saiu de fábrica com autonomia de 291 quilômetros e, após três anos de uso, ainda mantém capacidade para percorrer aproximadamente 270,6 quilômetros com uma carga completa.
Segundo a indústria automotiva, considera-se que uma bateria chega ao fim da vida útil para uso veicular quando mantém entre 70% e 80% da capacidade original, cenário que normalmente ocorre entre 10 e 15 anos, dependendo das condições de utilização.
Mercado de reposição tende a crescer
Com o aumento da frota de veículos elétricos no Brasil, especialistas acreditam que também deverá crescer o mercado de baterias de reposição.
Além da oferta de componentes novos, existe expectativa de expansão do mercado de baterias recondicionadas e do reaproveitamento das células em sistemas de armazenamento de energia, prolongando ainda mais sua vida útil.
Hábitos que aceleram o desgaste
Apesar da alta durabilidade, alguns hábitos podem acelerar a degradação da bateria.
Especialistas recomendam evitar deixar o veículo carregado em 100% por longos períodos, principalmente sob sol intenso. Também é indicado priorizar recargas lentas em carregadores residenciais e manter o nível de carga, sempre que possível, entre 20% e 80%.
Outro fator que influencia no desgaste é o uso frequente de carregadores ultrarrápidos em corrente contínua (DC), que elevam a temperatura das células durante o carregamento.
As baterias do tipo NMC, utilizadas em diversos modelos, costumam sofrer maior desgaste quando submetidas constantemente à carga máxima. Já as baterias LFP, cada vez mais comuns em veículos de entrada, apresentam maior resistência a esse tipo de uso.
Suspensão também merece atenção
Embora o conjunto motriz elétrico exija menos manutenção do que um motor a combustão, o peso das baterias interfere diretamente na suspensão.
Como os elétricos são mais pesados, componentes como buchas, bandejas, pivôs e pneus podem apresentar desgaste antecipado quando comparados a veículos equivalentes equipados com motor convencional.
O que avaliar antes da compra
Quem pretende comprar um carro elétrico usado deve ir além da aparência do veículo.
Especialistas recomendam exigir um laudo eletrônico da bateria, conhecido como SOH (State of Health), que informa a capacidade real das células e seu nível de degradação.
Também é importante verificar visualmente cabos de alta tensão, conectores, tomadas de recarga e o histórico de manutenção do veículo.
Outro ponto essencial é escolher oficinas especializadas em veículos elétricos, capazes de realizar diagnósticos específicos e prestar suporte adequado ao sistema de alta tensão.
Com a maior oferta de modelos de marcas como BYD, GWM e Volvo no mercado de seminovos, a tendência é que os carros elétricos usados se tornem uma opção cada vez mais atrativa para quem busca economia, tecnologia e menor custo de manutenção no longo prazo.