Os carros elétricos são frequentemente associados ao conforto, ao silêncio e à tecnologia embarcada. No entanto, alguns passageiros têm relatado um efeito inesperado durante as viagens: enjoos, tonturas e sensação de mal estar.
Embora a chamada cinetose, popularmente conhecida como enjoo de movimento, possa ocorrer em qualquer veículo, especialistas afirmam que determinadas características dos automóveis elétricos podem intensificar o desconforto em pessoas mais sensíveis.
Conflito de informações confunde o cérebro
Segundo especialistas em medicina de tráfego, o enjoo acontece quando o cérebro recebe informações contraditórias dos sistemas responsáveis pelo equilíbrio e pela percepção do movimento.
Enquanto o ouvido interno identifica que o corpo está se deslocando, os olhos podem transmitir a sensação oposta, principalmente quando o passageiro está olhando para o celular, lendo ou focado apenas no interior do veículo.
Esse conflito faz com que o organismo reaja com sintomas como tontura, suor frio, náusea, palidez e, em alguns casos, vômito.
O que muda nos carros elétricos?
Nos modelos elétricos, a aceleração costuma ser mais rápida e imediata do que nos veículos a combustão.
Além disso, a frenagem regenerativa, sistema utilizado para recuperar energia durante as desacelerações, provoca reduções de velocidade mais frequentes e perceptíveis, muitas vezes sem que o motorista utilize o pedal de freio.
Outro fator importante é a ausência de ruídos mecânicos e vibrações do motor.
Nos veículos convencionais, o cérebro utiliza esses sons como uma espécie de antecipação para acelerações, trocas de marcha e frenagens. Já nos elétricos, essas referências praticamente desaparecem.
Para algumas pessoas, essa combinação faz com que o corpo perceba o movimento, mas sem os sinais habituais que ajudam o cérebro a interpretá lo corretamente.
Uso do celular aumenta o problema
Especialistas apontam que o uso de celulares, tablets ou livros durante a viagem está entre os principais gatilhos da cinetose.
Ao olhar para uma tela, os olhos enviam ao cérebro a sensação de que o corpo está parado. Ao mesmo tempo, o ouvido interno continua registrando curvas, acelerações e frenagens.
O resultado é um aumento significativo da possibilidade de enjoo, independentemente de o carro ser elétrico ou não.
Crianças são mais sensíveis
O problema costuma ser ainda mais comum entre crianças, especialmente entre dois e 12 anos de idade.
Nessa fase, o sistema vestibular, responsável pelo equilíbrio, ainda está em desenvolvimento. Além disso, muitas crianças possuem campo de visão limitado dentro do veículo e acabam utilizando dispositivos eletrônicos durante o trajeto, aumentando o conflito sensorial.
Como evitar o mal estar
Algumas medidas simples podem ajudar a reduzir os sintomas durante as viagens:
• Evitar usar celular ou ler durante o trajeto;
• Olhar para a estrada ou para o horizonte;
• Preferir viajar no banco dianteiro;
• Manter boa ventilação dentro do veículo;
• Evitar refeições pesadas antes de viajar;
• Fazer pausas em deslocamentos mais longos.
Nos carros elétricos, uma condução mais suave, com acelerações progressivas e desacelerações menos bruscas, também pode ajudar a minimizar o desconforto.
Elétricos não causam enjoo em todos
Apesar dos relatos cada vez mais frequentes, especialistas destacam que os carros elétricos não são necessariamente responsáveis pelo problema.
A sensibilidade varia de pessoa para pessoa e depende de fatores individuais, hábitos durante a viagem e adaptação ao tipo de condução.
Ainda assim, a forma diferente como os veículos elétricos aceleram, freiam e se comportam mostra que a eletrificação não está mudando apenas a tecnologia dos automóveis, mas também a maneira como nosso cérebro percebe o movimento durante os deslocamentos.