Comprar um carro novo continua sendo um dos principais objetivos de muitos brasileiros. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), mais de 2,5 milhões de automóveis e comerciais leves foram vendidos em 2025, mas nem todos os consumidores conseguem pagar à vista.
Diante desse cenário, o consórcio segue crescendo como uma alternativa ao financiamento tradicional, principalmente entre quem busca reduzir os custos da compra e não tem urgência para adquirir o veículo.
Como funciona o consórcio?
No consórcio, um grupo de pessoas contribui mensalmente com parcelas que formam um fundo comum administrado por uma empresa especializada. Ao longo do contrato, os participantes são contemplados por meio de sorteios ou lances e recebem uma carta de crédito para comprar o veículo desejado.
Diferentemente do financiamento, o consórcio não cobra juros. Em contrapartida, há cobrança de taxa de administração e outras despesas previstas em contrato.
Os planos costumam variar entre 36 e 100 meses, permitindo ao consumidor escolher o prazo e o valor das parcelas conforme seu orçamento.
Sorteio ou lance
A contemplação pode acontecer de duas formas.
A primeira é por sorteio, realizado mensalmente entre todos os participantes do grupo. Nesse caso, o comprador pode ser contemplado logo nas primeiras assembleias ou apenas nos últimos meses do contrato.
A segunda alternativa é o lance. Funciona de forma semelhante a um leilão: quem oferece o maior percentual de antecipação aumenta as chances de receber a carta de crédito antes dos demais participantes.
Embora acelere a aquisição do veículo, o lance pode exigir um investimento elevado, muitas vezes semelhante ao valor de entrada exigido em um financiamento.
Vantagens da modalidade
Entre os principais benefícios do consórcio estão:
- ausência de juros;
- possibilidade de compra sem entrada;
- parcelas previsíveis;
- flexibilidade para utilizar a carta de crédito na aquisição do veículo após a contemplação;
- possibilidade de antecipar a contemplação por meio de lances.
Para quem não tem pressa em comprar o carro, a modalidade costuma representar uma alternativa financeiramente interessante.
Pontos que merecem atenção
Apesar das vantagens, o consórcio também apresenta algumas limitações.
O principal fator é o tempo de espera para receber a carta de crédito, especialmente para quem depende exclusivamente dos sorteios.
Além disso, o consumidor deve avaliar cuidadosamente as taxas de administração, possíveis cobranças de fundo de reserva, seguros e as regras do contrato, que normalmente oferecem pouca flexibilidade para alterações durante a vigência do grupo.
E se o participante desistir?
Quem decide sair do consórcio antes da contemplação normalmente passa a integrar o grupo de desistentes.
Nessa situação, a devolução dos valores pagos depende das regras previstas em contrato e, na maioria dos casos, ocorre somente após o encerramento do grupo, com descontos referentes às taxas administrativas e demais encargos.
Por isso, especialistas recomendam que o consumidor analise cuidadosamente o contrato antes da adesão.
Consórcio ou financiamento?
A escolha depende do perfil e da necessidade de cada comprador.
O financiamento é mais indicado para quem precisa utilizar o veículo imediatamente, já que permite sair da concessionária com o carro após a aprovação do crédito. Em contrapartida, exige pagamento de juros, normalmente solicita entrada e depende da análise de crédito da instituição financeira.
Já o consórcio costuma ser mais vantajoso para quem pode planejar a compra com antecedência e deseja evitar os juros cobrados nos financiamentos.
Outro ponto importante é que nem todos conseguem aprovação no crédito bancário. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), sete em cada dez pedidos de financiamento de veículos são recusados, tornando o consórcio uma opção cada vez mais procurada por consumidores que desejam conquistar o carro próprio de forma planejada.