A tradicional fidelidade a uma marca de carro vem perdendo espaço entre os consumidores brasileiros. Se no passado era comum uma família permanecer por anos comprando veículos da mesma fabricante, hoje o comprador está mais disposto a conhecer novas marcas e experimentar diferentes tecnologias.
 
Esse movimento ganhou força com a chegada de novas fabricantes ao Brasil entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000. Agora, com a expansão dos carros eletrificados e o avanço das marcas chinesas, o mercado vive uma nova transformação.
 
Uma pesquisa global da Deloitte indica que o brasileiro está entre os consumidores menos fiéis às fabricantes de automóveis. Questionados se o carro anterior era da mesma marca do atual, 53% dos entrevistados no Brasil responderam que não.
 
No Reino Unido, o índice foi de 52%. Nos Estados Unidos, 49% deram a mesma resposta, enquanto no Japão o percentual ficou em 40%.
 
Qualidade pesa mais que o nome da marca
 
A pesquisa também analisou os principais fatores considerados na escolha de um veículo. Para 65% dos brasileiros entrevistados, a qualidade do produto aparece como um dos pontos de maior importância.
 
O desempenho foi citado por 56% dos participantes, seguido pelo preço, com 44%, e pela tecnologia, mencionada por 38%.
 
Os números mostram uma mudança no comportamento de compra. Em vez de considerar apenas a tradição ou o nome da fabricante, o consumidor passou a avaliar com maior atenção aquilo que o carro efetivamente oferece.
 
Segurança ganha importância na escolha do carro
 
Os recursos de segurança e conectividade também aparecem entre as prioridades dos brasileiros.
 
De acordo com o levantamento, 85% dos entrevistados no país estariam dispostos a pagar um valor adicional por sistemas de rastreamento antifurto.
 
A assistência de emergência, incluindo recursos como detecção de colisão, foi apontada por 81%. Planos de seguro baseados nos hábitos de direção aparecem com 74%, enquanto sistemas de detecção de veículos e pedestres foram considerados relevantes por 72%.
 
Brasileiro quer carros cada vez mais conectados
 
Os comandos de voz também ganharam espaço. Entre os brasileiros participantes da pesquisa, 68% afirmaram considerar importante ter esse tipo de tecnologia no próximo veículo.
 
A integração entre o carro e a vida digital do motorista também chama atenção. Para 43% dos entrevistados brasileiros, o automóvel é considerado mais importante que o smartphone. Outros 33% colocam os dois no mesmo nível de importância.
 
O cenário ajuda a explicar o investimento crescente das fabricantes em centrais multimídia, aplicativos, comandos remotos e serviços conectados.
 
Atualizações pela internet podem fazer motorista ficar mais tempo com o carro
 
Outro recurso valorizado são as atualizações remotas de software, conhecidas pela sigla OTA, do inglês over-the-air.
 
A tecnologia permite atualizar sistemas do veículo utilizando a internet, sem a necessidade de levar o carro até uma concessionária para determinados procedimentos de software.
 
Para 73% dos brasileiros entrevistados, a possibilidade de receber atualizações pela internet aumenta significativamente a disposição de permanecer mais tempo com o veículo.
 
No Brasil, 68% dos participantes afirmaram que poderiam manter o carro por pelo menos dois anos adicionais com esse tipo de recurso.
 
Consumidor está mais aberto ao novo
 
O estudo ouviu 28,5 mil consumidores em 27 mercados e reforça uma transformação no comportamento de quem compra automóveis.
 
Com mais fabricantes disputando espaço, avanço dos carros eletrificados e novas tecnologias chegando ao mercado, o consumidor passou a comparar produtos de maneira mais ampla.
 
Qualidade, desempenho, segurança e conectividade ganham importância, enquanto a fidelidade histórica às marcas perde força. Para as fabricantes, o desafio passa a ser conquistar o motorista a cada novo carro, e não depender apenas do nome estampado na dianteira.