O imposto de importação para carros elétricos e híbridos vendidos no Brasil terá seu último aumento em julho de 2026. Com a conclusão do cronograma estabelecido pelo programa Mover (Mobilidade Verde e Sustentabilidade), do governo federal, todos os veículos eletrificados importados passarão a recolher a alíquota máxima de 35%.
 
A medida marca o fim da transição iniciada em 2024, quando a cobrança foi retomada após quase oito anos de isenção. Desde 2016, carros elétricos e híbridos importados estavam livres do imposto de importação, incentivo criado para estimular a adoção de tecnologias menos poluentes no país.
 
Como ficará a tributação
 
O aumento ocorreu de forma escalonada, variando conforme a tecnologia utilizada em cada veículo. A partir de julho de 2026, porém, a cobrança será unificada em 35% para todos os modelos eletrificados importados.
 
 
A alíquota de 35% corresponde ao teto permitido pela Organização Mundial do Comércio (OMC) para automóveis de passeio.
 
Disputa entre indústria nacional e importadores
 
A decisão encerra uma longa discussão entre montadoras instaladas no Brasil e empresas importadoras.
 
De um lado, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) defendia a antecipação da alíquota máxima, argumentando que a chegada em massa de veículos importados, principalmente da China, criava uma concorrência desigual para a indústria nacional.
 
Já a Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa) defendia a manutenção do cronograma original, alegando que um aumento mais rápido poderia prejudicar a expansão da mobilidade elétrica e elevar os preços para o consumidor.
 
Mercado segue em forte crescimento
 
Mesmo com o avanço da tributação, o mercado brasileiro de veículos eletrificados continua em ritmo acelerado.
 
Segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), foram registrados 44.981 emplacamentos de veículos elétricos e híbridos em maio de 2026. O resultado representa crescimento de 16,8% em relação a abril e um salto de 170,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
 
Os preços vão aumentar?
 
Apesar da elevação do imposto, não há garantia de que os preços subirão imediatamente nas concessionárias.
 
A estratégia dependerá de cada fabricante. Algumas montadoras podem optar por absorver parte dos custos para manter a competitividade, enquanto outras podem repassar o aumento ao consumidor.
 
Nos últimos anos, diversas marcas anteciparam importações para formar estoques antes dos reajustes. A BYD, por exemplo, trouxe milhares de veículos ao país antes da entrada em vigor das novas alíquotas, reduzindo os impactos imediatos sobre seus preços.
 
Produção nacional ganha força
 
O aumento da tributação busca incentivar a produção local de veículos eletrificados e atrair investimentos para a fabricação de baterias, motores e componentes no Brasil.
 
Marcas chinesas já avançam nesse processo. A BYD iniciou operações em Camaçari (BA), enquanto a GWM prepara sua produção em Iracemápolis (SP) e anunciou um novo complexo industrial em Aracruz (ES).
 
Outras fabricantes também confirmaram projetos nacionais. A Omoda Jaecoo produzirá veículos em Itatiaia (RJ), enquanto a Geely fabricará modelos eletrificados em parceria com a Renault, na unidade de São José dos Pinhais (PR).
 
Especialistas avaliam que a nacionalização da produção será fundamental para que as montadoras mantenham preços competitivos após a entrada em vigor da alíquota de 35%, prevista para julho de 2026.