O programa Move Brasil Táxi e Aplicativos, criado pelo governo federal para facilitar a renovação dos veículos utilizados por taxistas e motoristas de aplicativo, ainda registra uma adesão abaixo do volume de crédito disponibilizado.
 
Até 30 de julho de 2026, haviam sido aprovados R$ 2,2 bilhões em financiamentos, o equivalente a apenas 7,3% dos R$ 30 bilhões previstos para a linha. Os dados são do BNDES e foram apresentados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
 
Aprovação do programa não garante financiamento
 
Um dos principais fatores apontados para a baixa utilização dos recursos é a diferença entre ser considerado elegível pelo programa e conseguir efetivamente o financiamento.
 
O motorista pode atender aos requisitos estabelecidos pelo governo, mas a concessão do empréstimo ainda depende da análise de crédito da instituição financeira. Bancos avaliam fatores como renda, capacidade de pagamento, endividamento e histórico financeiro antes de liberar o dinheiro.
 
Na prática, profissionais com restrições no CPF, baixo score ou renda considerada insuficiente podem ter o financiamento recusado mesmo estando aptos a participar do Move Brasil.
 
A própria Anfavea já havia apontado dificuldades no início da operação, incluindo problemas de acesso ao crédito e demora na liberação dos financiamentos.
 
Resultado é bem diferente das fases anteriores
 
A taxa de utilização também chama atenção quando comparada às fases anteriores do programa.
 
No Move Brasil I, foram aprovados R$ 9,4 bilhões dos R$ 10 bilhões disponibilizados. Já no Move Brasil II, foram aprovados R$ 20 bilhões de um total de R$ 21,2 bilhões.
 
As duas primeiras etapas, entretanto, estavam concentradas principalmente na renovação de veículos pesados, enquanto a atual é voltada a taxistas e motoristas de aplicativos.
 
Governo ampliou limite dos veículos
 
Diante da adesão abaixo do esperado, o governo promoveu mudanças nas regras do programa.
 
O limite de valor dos veículos financiáveis passou de R$ 150 mil para R$ 200 mil. A mudança ampliou o universo de modelos que podem participar do programa e passou a incluir veículos de maior porte, além de diferentes tipos de híbridos.
 
Segundo o governo, a alteração elevou de aproximadamente 63% para 88% a parcela do mercado brasileiro de veículos que pode ser alcançada pelo programa.
 
O prazo máximo de financiamento também aumentou. Antes limitado a 72 meses, agora pode chegar a 84 meses, ou sete anos.
 
Mais modelos entraram na lista
 
Com o novo teto, o Move Brasil passou a contemplar uma quantidade maior de modelos, incluindo SUVs, híbridos e veículos de categorias superiores.
 
A lista atualizada chegou a 173 combinações de modelos e versões, segundo levantamento divulgado no início de setembro.
 
A participação, porém, depende de cada montadora. As fabricantes definem quais modelos e versões serão oferecidos dentro das condições do programa.
 
Prazo para solicitar o financiamento
 
Apesar das mudanças, o programa possui prazo definido para novas solicitações. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), os motoristas têm até 15 de setembro de 2026 para procurar uma instituição financeira autorizada e solicitar o financiamento.
 
O programa é destinado a profissionais que atendam aos critérios de elegibilidade, incluindo taxistas registrados e motoristas de aplicativo com cadastro ativo e histórico mínimo de atividade.
 
Depois da etapa de elegibilidade, cabe ao banco realizar a análise de crédito e decidir pela aprovação ou não do financiamento.
 
Crédito ainda pode ganhar novas condições
 
Outra mudança em discussão envolve a possibilidade de parcelas flexíveis, permitindo que as instituições financeiras ofereçam prestações com valores diferentes ao longo do contrato.
 
A medida busca adaptar o pagamento à realidade financeira dos profissionais que trabalham com transporte, mas sua implementação depende da conclusão do processo legislativo e regulamentação correspondente.
 
Enquanto isso, a principal dificuldade do Move Brasil permanece: há recursos disponíveis, mas uma parcela pequena dos profissionais interessados consegue transformar a elegibilidade em crédito efetivamente aprovado.