Motocicletas podem desaparecer do campo de visão de motoristas mesmo quando estão próximas. Isso acontece por causa dos chamados pontos cegos, áreas que não são captadas pelos retrovisores de carros, ônibus e caminhões e que representam um risco principalmente durante mudanças de faixa, conversões e aproximações em cruzamentos.
 
Por ser menor que os demais veículos, a motocicleta pode entrar rapidamente nessas áreas. Por isso, uma das principais recomendações é evitar permanecer ao lado de carros e caminhões por mais tempo do que o necessário.
 
Uma referência prática para o motociclista é observar o retrovisor do veículo. Se for possível enxergar o rosto do motorista pelo espelho, existe uma boa possibilidade de ele também estar vendo a motocicleta. Quando esse contato visual desaparece, a moto pode estar posicionada em um ponto cego.
 
Segundo Hélio Mazzarela, instrutor do Yamaha Riding Academy, o motociclista deve avaliar o posicionamento e procurar, sempre que possível e com segurança, uma posição em que possa ser percebido com maior facilidade.
 
Isso não significa acelerar repentinamente ou mudar de faixa sem avaliar as condições da via. A saída do ponto cego deve ser previsível, com verificação do espaço disponível, sinalização e movimentos graduais.
 
Movimento também pode ajudar
 
Em cruzamentos ou locais com pouca visibilidade, pequenos deslocamentos laterais podem contribuir para que a motocicleta seja percebida. A mudança de posição altera a presença da moto no campo visual do motorista.
 
A recomendação, porém, não significa fazer manobras entre veículos. O objetivo é ajustar a posição dentro da própria faixa quando houver segurança para isso.
 
O uso do farol aceso durante o dia também ajuda a destacar a motocicleta no trânsito. Ainda assim, a iluminação não substitui o posicionamento adequado.
 
Uma moto com o farol ligado ainda pode desaparecer dos retrovisores quando permanece ao lado da porta traseira de um carro ou próxima à lateral da cabine de um caminhão.
 
José Roberto Fávaro, também instrutor do Yamaha Riding Academy, destaca que o motociclista precisa observar continuamente o que acontece ao redor e sinalizar suas manobras para tornar seus movimentos previsíveis.
 
Motoristas também precisam redobrar a atenção
 
A prevenção dos acidentes envolvendo pontos cegos não depende apenas de quem está na motocicleta.
 
Antes de mudar de faixa ou realizar uma conversão, o motorista deve conferir os retrovisores, acionar a seta com antecedência e fazer uma verificação lateral para identificar veículos que possam não aparecer nos espelhos.
 
Outro fator de risco é a percepção equivocada de distância e velocidade. Como ocupa menos espaço no campo visual, uma motocicleta pode parecer mais distante ou mais lenta do que realmente está.
 
O problema pode se tornar ainda mais grave quando um automóvel cruza a trajetória de uma moto ou inicia uma conversão.
 
A seta também deve ser acionada antes da manobra, e não apenas no momento em que ela começa. O objetivo é comunicar antecipadamente a intenção do condutor aos demais usuários da via.
 
No trânsito, portanto, ver e ser visto são responsabilidades compartilhadas. Para o motociclista, a orientação é não presumir que foi visto. Para o motorista, é importante não considerar que os retrovisores necessariamente mostram tudo o que está ao redor do veículo.