Câmeras equipadas com inteligência artificial já são utilizadas para identificar infrações como uso do celular ao volante e falta do cinto de segurança em trechos de rodovias paulistas. Apesar disso, a tecnologia ainda não é utilizada para esse tipo de fiscalização dentro do perímetro urbano de São Paulo.
 
A decisão foi explicada por Gilmar Miranda, secretário executivo municipal de Mobilidade e Trânsito de São Paulo, durante o Summit Futuro da Mobilidade 2026. Segundo ele, o sistema tende a apresentar melhores resultados em trechos rodoviários extensos e estruturados do que em áreas urbanas com grande concentração de veículos.
 
Diferença entre rodovias e cidades
 
De acordo com o secretário, em regiões urbanas mais localizadas, o tamanho do espaço fiscalizado e o volume de veículos podem reduzir a eficiência do monitoramento por inteligência artificial.
 
Por esse motivo, antes de instalar esse tipo de equipamento, a Prefeitura precisaria analisar as características dos sinistros e das infrações em cada região. Atualmente, a fiscalização do trânsito na capital é realizada por agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e pela Polícia Militar.
 
Miranda também destacou que os próprios veículos modernos já oferecem recursos que permitem conectar o celular ao sistema multimídia do automóvel, reduzindo a necessidade de manusear o aparelho durante a condução.
 
Tecnologia já está em funcionamento nas rodovias
 
Nas rodovias paulistas, o sistema já identifica possíveis infrações por meio das câmeras. Entre os locais que utilizam a tecnologia estão o trecho urbano da Rodovia Raposo Tavares, na chegada a São Paulo, e trechos Sul e Leste do Rodoanel Mário Covas.
 
As câmeras, porém, não aplicam multas de forma automática. As imagens e infrações identificadas pela inteligência artificial são encaminhadas para uma central da Polícia Militar Rodoviária, onde passam por análise humana antes que uma autuação seja emitida.
 
Mais de 2 mil multas em um mês
 
Segundo dados da Ecovias, foram registradas 2.316 multas no trecho monitorado entre 3 de agosto e 3 de setembro.
 
Desse total, 1.386 ocorrências, equivalentes a 59,84%, estavam relacionadas à falta do cinto de segurança. Foram 779 casos envolvendo condutores e 607 passageiros.
 
Outras 930 ocorrências estavam relacionadas ao uso de celular ou fones de ouvido. Entre elas, 579 envolveram o manuseio do aparelho, 256 casos ocorreram quando o celular era mantido nas mãos e 94 estavam relacionados à utilização do telefone.
 
Fiscalização deve ser ampliada
 
A Ecovias também confirmou que pretende ampliar o perímetro de fiscalização com inteligência artificial para a Rodovia Castelo Branco, em um trecho urbano de acesso à capital paulista.
 
Ainda não há uma data definida para o início da nova operação.
 
A experiência nas rodovias mostra que a tecnologia já consegue auxiliar na identificação de determinadas infrações, mas a adoção do sistema dentro das cidades depende de fatores como o tipo de via, volume de tráfego e estratégia de fiscalização de cada município.