Os carros elétricos com autonomia estendida, conhecidos pelas siglas EREV ou REEV, começam a ganhar espaço no mercado brasileiro. A tecnologia combina a condução de um carro elétrico com a possibilidade de utilizar um motor a combustão para gerar energia e ampliar a autonomia.
 
Na prática, o motorista roda utilizando motores elétricos, enquanto o propulsor a combustão funciona como um gerador para recarregar a bateria quando necessário. A proposta busca unir a condução silenciosa e livre de emissões locais dos elétricos com a praticidade de abastecer rapidamente em postos de combustível.
 
Como funciona um EREV
 
Diferentemente de um híbrido convencional, o motor a combustão de um EREV não é responsável diretamente pela movimentação das rodas. Sua função principal é produzir energia para alimentar a bateria e manter o sistema elétrico funcionando.
 
Essa característica faz com que a experiência ao volante seja semelhante à de um carro elétrico, inclusive na entrega imediata de torque. A diferença está na possibilidade de utilizar o motor a combustão como uma espécie de gerador de emergência, reduzindo a preocupação com a autonomia em viagens longas.
 
A tecnologia não é exatamente nova. O BMW i3, lançado em 2014, já oferecia uma configuração com extensor de autonomia. Mais recentemente, modelos como o Leapmotor C10 REEV passaram a utilizar a mesma proposta e ajudam a popularizar a tecnologia no mercado brasileiro.
 
Qual é o problema no Brasil?
 
A principal questão está na classificação regulatória. Embora o EREV tenha funcionamento essencialmente elétrico, a estrutura brasileira de classificação e etiquetagem trabalha com categorias como elétrico, híbrido e híbrido plug-in.
 
O próprio Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), do Inmetro, mantém categorias específicas para veículos elétricos, híbridos e híbridos plug-in. Na tabela de 2026, por exemplo, existem 157 modelos elétricos, 100 plug-in e 99 híbridos registrados no programa.
 
Além disso, as normas do Contran estabelecem requisitos específicos para veículos de propulsão híbrida, híbrida plug-in e elétrica, mas não criam uma categoria específica denominada EREV.
 
É justamente essa falta de uma classificação específica que pode dificultar o enquadramento desses veículos e a definição de quais benefícios ou regras devem ser aplicados a eles.
 
EREV x híbrido plug-in
 
Apesar de visualmente poderem parecer semelhantes, existe uma diferença importante entre as duas tecnologias.
 
Nos híbridos plug-in (PHEV), tanto o motor elétrico quanto o motor a combustão podem participar da movimentação do veículo, dependendo do projeto. A bateria também pode ser recarregada externamente.
 
Nos EREV, a proposta é diferente: as rodas são movimentadas pelos motores elétricos, enquanto o motor a combustão atua como gerador para produzir eletricidade.
 
Essa arquitetura permite que o motor térmico trabalhe em faixas de rotação mais eficientes, sem precisar acompanhar diretamente as variações de velocidade do veículo.
 
Tecnologia começa a chegar ao Brasil
 
A chegada dos EREV ao país tende a tornar essa discussão cada vez mais relevante. O Leapmotor C10 REEV, por exemplo, utiliza justamente a tecnologia de autonomia estendida, enquanto o B10 REEV também foi apresentado com essa proposta para o mercado brasileiro.
 
Outras fabricantes também estudam utilizar a tecnologia no país. A Caoa Changan, por exemplo, já indicou planos para trazer modelos EREV com motor flex, ampliando a possibilidade de utilização do etanol como combustível do gerador.
 
Uma tecnologia entre dois mundos
 
O EREV aparece, portanto, como uma alternativa intermediária para mercados que ainda enfrentam limitações de infraestrutura de recarga. O motorista pode utilizar o carro predominantemente como um elétrico, mas mantém a possibilidade de abastecer em um posto quando a bateria estiver baixa.
 
Para o Brasil, onde a rede de carregadores ainda está em expansão e viagens rodoviárias de longa distância são comuns, a tecnologia pode ganhar relevância.
 
O desafio agora é fazer com que a legislação e os sistemas de classificação acompanhem a evolução dos sistemas de propulsão, deixando mais claro como esses veículos devem ser enquadrados no mercado brasileiro.