A GWM prepara uma nova fase de expansão da produção nacional. Além de fabricar o Ora 5 no Brasil, a marca chinesa pretende utilizar o modelo como base para uma família de veículos híbridos, híbridos plug-in e elétricos que será produzida na futura fábrica de Aracruz, no Espírito Santo.
 
A informação foi revelada por Ricardo Bastos, diretor de relações institucionais e governamentais da GWM, em entrevista exclusiva ao programa CBN Autoesporte. Segundo o executivo, a plataforma utilizada pelo Ora 5 permite o desenvolvimento de diferentes tipos de carroceria e sistemas de propulsão.
 
“Ela pode receber diversos tipos de carroceria e motorização, como híbridos, híbridos plug-in e elétricos. Vamos trazer todo este contexto para a nossa nova fábrica nacional, várias carrocerias e motorizações”, afirmou Bastos.
 
Nova fábrica terá capacidade de 200 mil carros por ano
 
 
A unidade de Aracruz (ES) será a segunda fábrica da GWM no Brasil e tem previsão de iniciar as operações em 2029. A capacidade instalada poderá chegar a 200 mil veículos por ano, quatro vezes mais que a unidade de Iracemápolis (SP), que tem capacidade de aproximadamente 50 mil carros anuais.
 
A nova planta será voltada principalmente para veículos de maior volume e deverá atender tanto o mercado brasileiro quanto outros mercados de exportação.
 
O Ora 5 será um dos primeiros modelos confirmados para a produção em Aracruz, mas a GWM ainda não revelou quais outros veículos derivados da plataforma One serão fabricados na unidade.
 
Segundo Bastos, a empresa poderá ampliar futuramente a produção para outras submarcas, como Wey e Tank, dependendo do desempenho do mercado brasileiro.
 
Ora 5 será o primeiro integrante da nova família
 
O SUV elétrico foi lançado no Brasil em junho deste ano e chegou ao mercado em versão única, com preço de R$ 159 mil.
 
Com 4,47 metros de comprimento e 2,72 metros de entre-eixos, o Ora 5 tem dimensões próximas às de SUVs médios, como o Toyota Corolla Cross, mas aposta em um preço mais competitivo dentro do segmento elétrico.
 
O modelo utiliza um motor elétrico dianteiro de 204 cv e 26,5 kgfm de torque. Segundo a GWM, a aceleração de 0 a 100 km/h é feita em 7,7 segundos.
 
A bateria de 58,3 kWh, com tecnologia LFP, proporciona autonomia de 349 km pelo padrão do Inmetro. No ciclo WLTP, utilizado na Europa, a autonomia chega a 435 km.
 
Plataforma permite diferentes motorizações
 
O principal trunfo para a expansão da família Ora está justamente na plataforma One. A arquitetura foi desenvolvida para aceitar diferentes sistemas de propulsão, permitindo que a GWM produza veículos elétricos e eletrificados utilizando uma mesma base.
 
Isso significa que a futura linha nacional poderá incluir modelos 100% elétricos, híbridos convencionais e híbridos plug-in, dependendo da estratégia comercial da fabricante.
 
Entre as possibilidades está o próprio Ora 5 PHEV, versão híbrida plug-in que já foi apresentada na China e que está sendo estudada para o mercado brasileiro.
 
Produção nacional deve reduzir fila de espera
 
A fabricação brasileira do Ora 5 também deverá ajudar a GWM a aumentar a oferta do SUV. Poucos dias após o lançamento, o modelo já acumulava milhares de pedidos e chegou a registrar fila de espera de até quatro meses.
 
Com a produção nacional, a expectativa é reduzir os prazos de entrega e aumentar a disponibilidade do modelo.
 
A estratégia também mostra que a GWM pretende ir além da produção local de modelos importados. A fabricante já produz veículos das famílias Haval e Poer em Iracemápolis e agora prepara uma nova gama de produtos para a segunda unidade industrial.
 
Se o projeto seguir o cronograma previsto, Aracruz poderá se transformar em um dos principais polos de produção da GWM na América Latina, com uma família de carros Ora adaptada a diferentes níveis de eletrificação e segmentos.