A Stellantis reduziu o ritmo de produção das Fiat Titano e Ram Dakota na fábrica de Córdoba, na Argentina. Desde o início de setembro, a linha de montagem das duas picapes passou a operar em apenas um turno, depois de trabalhar com dois turnos até o fim de agosto.
A mudança ocorre em meio a uma demanda abaixo das expectativas para os modelos nos mercados argentino e de exportação. A fábrica de Córdoba foi transformada pela Stellantis em um polo regional de produção de picapes, responsável pelos dois modelos.
Produção será menor
A Stellantis havia planejado produzir aproximadamente 27 mil picapes em Córdoba durante 2026. Com a redução do ritmo, a projeção caiu para cerca de 16,5 mil unidades.
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Ram Dakota não vende como esperado e faz a fábrica fechar um turno — Foto: Emerson de Oliveira Souza/Cerri Studio
No caso da Ram Dakota, a expectativa inicial era produzir aproximadamente 8 mil unidades até o fim do ano. Agora, a previsão é de cerca de 3 mil.
Já a Fiat Titano deverá ter aproximadamente 1 mil unidades adicionais produzidas, contra uma estimativa anterior de 1,5 mil.
A redução também provocou mudanças no quadro de funcionários. Parte dos trabalhadores entrou em layoff, enquanto outros foram direcionados para a fábrica de motores.
Vendas ficaram abaixo das líderes
No Brasil, principal mercado regional para as duas picapes, a Titano e a Dakota ainda estão distantes dos números registrados pelas principais concorrentes.
De acordo com os dados apresentados no material, a Fiat Titano acumulou cerca de 3,4 mil emplacamentos, enquanto a Ram Dakota chegou a aproximadamente 3,2 mil unidades.
Para comparação, a Toyota Hilux registrou cerca de 30 mil unidades e a Ford Ranger, aproximadamente 23,4 mil no mesmo período.
Apesar disso, a Ram informou nesta semana que a Dakota teve em agosto seu melhor resultado mensal em emplacamentos desde o lançamento, enquanto a marca Ram cresceu 19,7% no acumulado de 2026 até o mês.
Argentina também tem demanda menor
No mercado argentino, os números também ficaram abaixo das expectativas da Stellantis, embora o volume total seja naturalmente menor que o brasileiro.
A empresa, porém, afirma que a redução do ritmo de produção está relacionada à evolução da demanda nos mercados nacional e internacional, e não representa uma interrupção do projeto industrial.
Em comunicado, a Stellantis informou que está adaptando seus processos produtivos enquanto mantém os investimentos previstos para Córdoba.
Motor 2.2 será produzido na Argentina
A redução temporária do ritmo de montagem ocorre justamente durante uma fase de expansão da estrutura industrial da Stellantis na Argentina.
A partir de 2027, a fábrica de Córdoba deverá iniciar a produção local do motor 2.2 Multijet turbodiesel, utilizado tanto pela Titano quanto pela Dakota. Atualmente, o propulsor é importado da Itália.
O motor entrega 200 cv de potência e 450 Nm de torque, equivalentes a 45,9 kgfm. A própria Stellantis confirma que o propulsor será produzido localmente como parte do projeto de expansão do polo argentino.
Investimento mantém projeto de pé
A Stellantis anunciou um investimento de aproximadamente US$ 385 milhões no polo de Córdoba para estruturar o hub regional de picapes, incluindo a produção da Titano, da Dakota e do motor Multijet 2.2. O projeto prevê a geração de 1.800 postos de trabalho ao longo de sua implementação.
A redução para um turno, portanto, representa um ajuste no ritmo de produção diante da demanda atual, e não o cancelamento das picapes ou do projeto industrial argentino.
A Dakota, inclusive, continua sendo estratégica para a Ram na América do Sul e chegou ao Brasil em 2026 como a nova aposta da marca no segmento de picapes médias.