O segundo turno das eleições 2026 acontece em 25 de outubro e coloca dois nomes na disputa pelo Planalto: o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Para o leitor que usa o carro, a moto ou o transporte coletivo no dia a dia e para quem trabalha no setor, as propostas de transporte e logística dos dois programas de governo merecem atenção.
Esta matéria é um material de consulta. As propostas foram extraídas dos programas oficiais de governo dos dois candidatos, registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e são apresentadas lado a lado, sem hierarquização entre elas.
Mobilidade urbana
Lula
O programa afirma que a mobilidade urbana é “um dos maiores desafios para tornar as médias e grandes cidades espaços mais inclusivos” e cita a carteira do Novo PAC: “mais 233 km de metrôs, trens e VLTs e outros 296 km de corredores exclusivos de ônibus no padrão BRT”, além da renovação da frota de 144 municípios,
com “3.942 ônibus Euro 6, 203 ônibus elétricos e 39 veículos sobre trilhos”.
Para o próximo mandato, promete “continuar apoiando investimentos em transporte coletivo de alta capacidade e na modernização e eletrificação progressiva das frotas do transporte coletivo”, mantendo a diretriz de investimentos que gerem demanda para a indústria nacional de equipamentos de transporte.
Flávio Bolsonaro
O programa propõe “pensar o desenvolvimento das cidades para reduzir o deslocamento da população, com o transporte coletivo como base da mobilidade”, com parcerias que diminuam o tempo de viagem do trabalhador e “contratos que conciliem moradia e infraestrutura no mesmo projeto”.
Promete, ainda, que “os bancos públicos priorizarão o financiamento de linhas de metrô, transporte sobre trilhos e ônibus movidos a eletricidade e biocombustíveis”.
Transporte rodoviário
Lula
O programa destaca os recordes de concessões do Novo PAC, com o número de leilões de rodovias “quadruplicado” em relação ao governo anterior, representando 46% de todas as concessões rodoviárias já realizadas no país.
O documento também cita a meta de investir R$ 280 bilhões em 2025 e R$ 300 bilhões em 2026. Para o próximo mandato, promete “manter o ritmo nas concessões rodoviárias”.
Flávio Bolsonaro
O programa propõe investir R$ 900 bilhões em quatro anos em “rodovias, hidrovias, portos, aeroportos e ferrovias”, com a criação de “Corredores Logísticos Inteligentes de integração nacional” para reduzir o custo da logística.
A estratégia se apoia na iniciativa privada, com “uso intensivo de PPPs e concessões”, fundo lastreado em securitização de ativos da União e financiamentos do BNDES exclusivamente para obras no Brasil.
Transporte ferroviário
Lula
O programa promete intensificar as concessões ferroviárias “em duas frentes: leilão de novos projetos e repactuação dos contratos existentes”.
Flávio Bolsonaro
O programa lista ações específicas: destravar a Ferrogrão; adotar o trem de cargas que ligará o Mato Grosso, o oeste do Paraná e Santa Catarina; implantar o Trem do Nordeste, “malha de passageiros” de 1.400 km ligando Salvador, Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa, Natal e Fortaleza; e concluir a Transnordestina,
ampliando o escopo para a Paraíba e o Rio Grande do Norte.
Transporte aéreo
Lula
Com as principais infraestruturas já concedidas, o programa promete o “fortalecimento dos investimentos em aeroportos regionais e medidas de incentivo a novas rotas aéreas”.
Flávio Bolsonaro
O programa trata do setor em dois pontos: no capítulo agro, promete implementar as metas do combustível sustentável de aviação (SAF) “previstas em lei a partir de 2027”, com coordenação entre os ministérios da Agricultura e de Minas e Energia.
No capítulo de turismo, cita aeroportos e rodovias como infraestrutura a favor do turismo, com a “promoção do destino Brasil”.
Transporte hidroviário e marítimo
Lula
O programa promete prosseguir com a política de “novos arrendamentos nos portos organizados” e com os processos de concessão da manutenção dos canais de acesso e outros serviços portuários.
Flávio Bolsonaro
O programa propõe destravar “projetos de infraestrutura fluvial que escoam a produção do país, como a Hidrovia do Tapajós”, “com planejamento e diálogo prévio com as comunidades locais”.
Os portos integram os corredores logísticos do investimento de R$ 900 bilhões.
Transporte individual, carros e motos
Nenhum dos dois programas traz propostas específicas para o transporte individual como incentivos à compra, tributação de veículos ou política automotiva setorial. As menções ao setor aparecem de forma indireta.
O programa de Lula destaca o Brasil como “grande hub de desenvolvimento de motores flex e híbridos flex do setor automotivo no mundo” e menciona mandatos de mistura ampliados para 32% de etanol na gasolina (E32) e 15% de biodiesel no diesel (B15), além da Lei do Combustível do Futuro.
O programa de Flávio Bolsonaro menciona ônibus movidos a “eletricidade e biocombustíveis” e, no capítulo de energia, um “Programa Nacional de Segurança Energética” focado em “refino, processamento, escoamento e transporte de combustíveis e gás”.
Como ler esta matéria
Todas as citações entre aspas são transcrições literais dos programas de governo registrados no TSE. Quando o documento não traz números ou prazos, a matéria não os acrescenta.
As propostas podem ser atualizadas ao longo da campanha.