A possibilidade de aumentar para 35% o percentual de etanol anidro misturado à gasolina, formando a chamada E35, vem gerando discussões entre especialistas, indústria automotiva e consumidores. A mudança pode representar uma nova etapa na política de combustíveis do Brasil, mas também levanta dúvidas sobre os
efeitos em diferentes tipos de veículos.
 
Atualmente, a gasolina brasileira já utiliza uma proporção elevada de etanol. Desde julho, está autorizada uma fase de testes com a mistura de 32% de etanol, conhecida como E32. O período inicial é de seis meses e pode ser prorrogado por mais seis.
 
A possibilidade de chegar aos 35% exige, porém, avaliações sobre o comportamento dos veículos que circulam atualmente no país.
 
Veículos podem sentir diferenças
 
Os veículos flex, que representam cerca de 80% da frota brasileira, possuem sistemas eletrônicos capazes de identificar as características do combustível e ajustar parâmetros do motor, como o tempo de injeção e o avanço da ignição.
 
Já veículos mais antigos, algumas motocicletas de menor cilindrada e determinados modelos importados podem exigir maior atenção. Isso acontece porque muitos desses veículos foram desenvolvidos para trabalhar com concentrações menores de etanol na gasolina.
 
Entre os possíveis efeitos estão dificuldades de partida a frio, alterações na dirigibilidade durante o aquecimento e maior exigência de componentes do sistema de alimentação.
 
Também existe preocupação com juntas, mangueiras e outros componentes que entram em contato com o combustível, além da possibilidade de formação de depósitos nos injetores.
 
Por isso, uma eventual adoção definitiva da E35 depende de testes de durabilidade e de avaliações que comprovem a compatibilidade da mistura com a frota brasileira.
 
E o consumo?
 
Outro ponto que pode ser percebido diretamente pelo motorista é o consumo de combustível.
 
O etanol possui aproximadamente 30% menos energia por litro do que a gasolina, o que significa que, dependendo do veículo e das condições de uso, pode haver redução na quantidade de quilômetros percorridos por litro.
 
Com isso, mesmo que o veículo funcione normalmente com a nova mistura, o motorista pode perceber uma diferença na autonomia entre abastecimentos.
 
O impacto financeiro, entretanto, dependerá principalmente dos preços praticados para a gasolina e para o etanol.
 
Fiscalização precisa acompanhar a mudança
 
A alteração no percentual de etanol também aumenta a importância do controle da qualidade do combustível vendido nos postos.
 
A fiscalização precisa considerar os novos parâmetros para verificar se a composição da gasolina está dentro das especificações estabelecidas. Testes realizados nos postos podem verificar características como o teor de etanol e a massa específica.
 
Já a análise da octanagem, um dos parâmetros mais importantes para o desempenho e funcionamento dos motores, é mais complexa e depende de análises laboratoriais.
 
O que muda para o motorista?
 
Caso a mistura E35 seja adotada, o impacto não será necessariamente igual para todos os veículos.
 
Carros flex mais modernos tendem a ter maior capacidade de adaptação, enquanto veículos mais antigos, determinadas motocicletas e modelos importados podem exigir atenção especial às especificações determinadas pelo fabricante.
 
Por isso, antes de qualquer mudança definitiva, a realização de testes de compatibilidade e durabilidade é considerada fundamental para avaliar os efeitos da nova gasolina sobre a frota.
 
Para o consumidor, a principal questão não está apenas no funcionamento do motor, mas também na autonomia, manutenção e custo por quilômetro rodado.