A Pagani construiu sua reputação combinando desempenho, engenharia e um nível de acabamento artesanal que está muito além do padrão da indústria automotiva. Um dos melhores exemplos dessa obsessão por detalhes está em uma peça que normalmente passaria despercebida: os parafusos.
Segundo informações repercutidas após uma visita do canal britânico Carwow à fábrica da marca, cada hipercarro Pagani utiliza aproximadamente 2 mil fixadores de titânio. Considerando uma estimativa de cerca de US$ 80 por peça, somente os parafusos poderiam representar mais de US$ 160 mil, valor superior a R$ 800 mil em conversão direta.
DETALHE MILIMÉTRICO
O preço não está relacionado apenas ao uso do titânio, material escolhido pela combinação entre resistência e baixo peso. Muitos dos fixadores ainda recebem o logotipo da Pagani gravado individualmente.
A gravação tem apenas dois mícrons de profundidade, o equivalente a 0,002 milímetro. É um detalhe praticamente imperceptível sem uma inspeção próxima, mas que representa bem a filosofia da fabricante italiana: até componentes mecânicos podem receber tratamento estético.
A preocupação chega a peças ainda mais improváveis. A própria vareta de óleo pode ser produzida em titânio e receber acabamento anodizado.
Nesse caso, o cuidado começa antes mesmo da gravação. A peça é instalada para que os técnicos identifiquem exatamente a posição em que ficará depois de apertada. Somente então ela é retirada, marcada e novamente instalada, garantindo que o logotipo permaneça perfeitamente alinhado.
VOLANTE DE 43 KG
O volante segue a mesma lógica de construção artesanal. O componente começa como um bloco de alumínio de aproximadamente 43 kg e passa por um extenso processo de usinagem até chegar a cerca de 1,7 kg.
Mas a usinagem é apenas parte do trabalho. Segundo o Carwow, um artesão pode dedicar aproximadamente oito horas ao polimento manual do componente antes que ele seja finalmente instalado no carro.
A mesma atenção aparece em cubos de roda, componentes da suspensão e outras peças que, apesar de raramente serem observadas pelo proprietário, recebem acabamento compatível com elementos visíveis no interior do veículo.
PRODUÇÃO ARTESANAL
Esse nível de cuidado também explica o ritmo de produção da Pagani. Os carros são montados artesanalmente em San Cesario Sul Panaro, próximo a Modena, na Itália, e uma única unidade pode levar aproximadamente seis meses para ficar pronta.
A produção anual é de apenas algumas dezenas de veículos, cada um podendo receber um nível elevado de personalização. O processo, portanto, está muito distante da produção em larga escala encontrada nas fabricantes tradicionais.
E é justamente aí que aparece a comparação que mais chama atenção: a estimativa do valor dos parafusos de um único Pagani supera o preço de um Porsche 911 Carrera novo nos Estados Unidos.
Para uma fabricante de produção em massa, tamanha atenção aos detalhes seria difícil de justificar. Para a Pagani, entretanto, é justamente esse nível de obsessão que transforma seus carros em verdadeiras peças de engenharia e design.