A Stellantis ampliou sua atuação no setor automotivo ao entrar no mercado de desmontagem e reaproveitamento de veículos. Em um ano de operação do Centro de Desmontagem Veicular (CDV), em Osasco (SP), a empresa desmontou 1.150 carros, incluindo modelos de outras fabricantes.
 
O volume ainda está abaixo da capacidade instalada do centro, que pode desmontar até 8 mil veículos por ano. A meta da Stellantis é chegar a 2.300 veículos desmontados anualmente até 2027.
 
Além da oportunidade comercial, a iniciativa faz parte da estratégia de economia circular da empresa, com reaproveitamento de peças e matérias-primas que poderiam ser descartadas.
 
Segundo a Stellantis, existe um mercado potencial de aproximadamente R$ 14 bilhões em peças que poderiam ser recuperadas e comercializadas como seminovas no Brasil. A empresa também aponta que cerca de 2 milhões de veículos chegam ao fim da vida útil por ano no país, enquanto apenas uma pequena parcela recebe a destinação adequada.
 
COMO O CARRO É DESMONTADO
 
Os veículos são adquiridos principalmente em leilões, geralmente após colisões que comprometem sua estrutura ou devido ao tempo de uso.
 
O primeiro processo é a retirada dos óleos e demais fluidos. Esses materiais são encaminhados para reciclagem por uma empresa parceira.
 
Na sequência, são retiradas as peças da parte inferior do veículo. Componentes relacionados à segurança, como itens de suspensão e freios, não são comercializados e seguem para a destinação adequada.
 
Motor e câmbio são então desmontados e avaliados por técnicos. As peças podem ser classificadas para venda como seminovas, passar por recondicionamento ou ser destinadas à comercialização como matéria-prima.
 
Os componentes que chegam à loja recebem uma classificação de 1 a 9, de acordo com seu estado de conservação.
 
Depois, são desmontados o interior, a carroceria e os sistemas elétricos. Os fios passam por um processo que separa o cobre do plástico, permitindo o reaproveitamento dos materiais.
 
Ao final, a estrutura metálica restante também é encaminhada para uma empresa parceira e transformada em matéria-prima para a produção de aço utilizado na construção civil.
 
Uma parcela menor dos veículos adquiridos em leilões também pode ser recuperada e voltar ao mercado como seminovo.
 
ONDE COMPRAR AS PEÇAS
 
As peças recuperadas pela Stellantis são comercializadas em uma loja física em Osasco e também por canais digitais, incluindo WhatsApp, site próprio, Mercado Livre e Shopee.
 
Atualmente, o estoque reúne cerca de 9 mil componentes. No primeiro ano de operação, foram recuperadas aproximadamente 20 mil peças, das quais 11 mil já haviam sido comercializadas.
 
Os componentes vendidos pela empresa possuem garantia de três meses.
 
A estratégia também prevê uma segunda etapa, na qual a Stellantis pretende ampliar o reaproveitamento de peças e matérias-primas dentro de sua própria produção, fortalecendo o modelo de economia circular.