O Grupo Volkswagen confirmou oficialmente um amplo plano de reestruturação que prevê o corte de 100 mil empregos em todo o mundo até 2030. A medida faz parte da estratégia da fabricante alemã para reduzir custos, aumentar a eficiência e recuperar a rentabilidade diante da queda nas vendas em mercados estratégicos e da crescente concorrência das montadoras chinesas.
 
Segundo comunicado divulgado aos funcionários e informações publicadas pela agência Bloomberg, cerca de 50 mil vagas serão eliminadas na Alemanha, enquanto as outras 50 mil serão encerradas nas demais operações globais do grupo.
 
Custos são 20% maiores que os da concorrência
 
O CEO global do Grupo Volkswagen, Oliver Blume, afirmou que a empresa opera atualmente com custos cerca de 20% superiores aos dos principais concorrentes.
 
Segundo o executivo, a companhia precisa simplificar sua estrutura e eliminar despesas para voltar a crescer.
 
"Precisamos nos tornar mais eficientes, mais robustos e mais simples. Devemos reduzir nossos custos", afirmou Blume.
 
A reestruturação deverá atingir praticamente todas as empresas controladas pelo grupo, incluindo Volkswagen, Audi, Porsche, Seat, Skoda, Lamborghini e Ducati.
 
Fábricas também podem fechar
 
Além da redução do quadro de funcionários, a Volkswagen estuda novos cortes em sua estrutura industrial.
 
Após encerrar as atividades da fábrica de Dresden, na Alemanha, a empresa avalia o futuro de outras unidades consideradas de alto custo operacional.
 
Entre elas estão as fábricas de:
 
  • Hanôver
  • Neckarsulm
  • Zwickau
  • Emden
 
Também existe a possibilidade de venda de algumas unidades para fabricantes chinesas, alternativa que vem sendo discutida internamente.
 
China virou um dos maiores problemas
 
Um dos principais fatores que motivaram a reestruturação é o desempenho abaixo do esperado na China, maior mercado automotivo do planeta.
 
No primeiro semestre de 2026, o Grupo Volkswagen registrou queda de 26% nas vendas no país asiático.
 
Nos Estados Unidos, outro mercado estratégico, as vendas também recuaram 7%, influenciadas pelo aumento das tarifas de importação.
 
Enquanto isso, montadoras chinesas seguem ampliando rapidamente sua participação mundial, especialmente nos segmentos de veículos elétricos e híbridos.
 
No Brasil, porém, o cenário é diferente. A Volkswagen continua apresentando crescimento nas vendas e mantém uma posição sólida entre as líderes do mercado nacional.
 
Menos carros no portfólio
 
A redução de custos também passará pela linha de produtos.
 
A Volkswagen confirmou que diversos veículos com baixo volume de vendas deixarão de ser produzidos.
 
Além disso, versões serão eliminadas para simplificar a produção e reduzir a complexidade industrial.
 
A fabricante também pretende diminuir o número de plataformas e arquiteturas eletrônicas utilizadas em seus veículos, tornando o desenvolvimento de novos modelos mais eficiente.
 
Jetta pode se despedir até 2030
 
Entre os modelos que podem desaparecer está o tradicional Volkswagen Jetta.
 
Segundo o jornal alemão Bild, o sedã médio deverá sair de linha até 2030 e não ganhará uma nova geração.
 
A decisão acompanha a forte redução da demanda mundial por sedãs médios, segmento que perdeu espaço para os SUVs nos últimos anos.
 
No Brasil, o Jetta permanece à venda apenas na versão esportiva GLI, equipada com motor 2.0 turbo de 231 cv.
 
Porsche e Audi também terão cortes
 
Outras marcas do grupo também deverão enxugar seus portfólios.
 
Na Porsche, o elétrico Taycan pode encerrar sua trajetória sem um sucessor direto. O mesmo destino é esperado para o Cayenne Coupé equipado com motor a combustão.
 
Na Audi, já foi confirmado o encerramento da produção dos compactos A1 e Q2.
 
Além deles, veículos como o Q5 Sportback e o Q6 e-tron Sportback também aparecem entre os candidatos a deixar o mercado nos próximos anos.
 
Foco será nos modelos mais vendidos
 
Enquanto reduz custos, o Grupo Volkswagen pretende concentrar investimentos em veículos com maior potencial de vendas.
 
A estratégia prevê o lançamento de cerca de 20 novidades ao longo de 2026, considerando todas as marcas do grupo.
 
Segundo Oliver Blume, o objetivo é direcionar recursos para os modelos que realmente apresentam maior demanda em cada mercado.
 
Até 2030, a Volkswagen pretende elevar sua margem de lucro para um patamar entre 8% e 10%, tornando-se, nas palavras da própria empresa, "a montadora mais atraente do mundo".