A Volkswagen decidiu interromper temporariamente o desenvolvimento do ID. Golf, versão totalmente elétrica que dará continuidade à história do tradicional hatch da marca. A decisão foi motivada por dificuldades financeiras e limitações no orçamento da fabricante. Apesar da pausa, o projeto não foi cancelado e poderá ser retomado quando houver condições para financiar o trabalho.
Em entrevista à emissora alemã NDR, Thomas Schäfer, presidente da marca Volkswagen, confirmou que a suspensão foi aprovada pela diretoria. O executivo reconheceu que a empresa não consegue arcar com os custos do desenvolvimento neste momento.
A estreia do modelo estava inicialmente prevista para 2028, mas já havia sido adiada para 2030. Com a nova decisão, o lançamento deve ficar para o início da próxima década, sem uma data definitiva anunciada.
Até lá, a Volkswagen continuará oferecendo o Golf com motorizações a combustão e híbridas. No Brasil, a nova geração do modelo tem previsão de chegar na configuração GTI, importada da Alemanha e anunciada por cerca de R$ 430 mil, conforme as informações divulgadas pela publicação original.
Crise financeira pressiona a fabricante
A suspensão do projeto ocorre em meio a um cenário de dificuldades para o Grupo Volkswagen. A empresa anunciou um prejuízo de 5,8 bilhões de euros, equivalente a aproximadamente R$ 35,2 bilhões na conversão mencionada pela fonte. O resultado representa o pior desempenho trimestral da fabricante desde 2015, período marcado pelo escândalo das emissões de motores a diesel, conhecido como Dieselgate.
Outro fator citado é a revisão das perspectivas financeiras da Porsche, marca na qual a Volkswagen possui participação majoritária. A expectativa de vendas mais baixa levou a empresa a reduzir suas projeções de receita.
Na China, a Volkswagen também enfrenta dificuldades diante do avanço das fabricantes locais de veículos elétricos, como a BYD. As vendas do grupo no país teriam recuado cerca de 38,5% no trimestre, segundo os dados apresentados pela publicação.
Nos Estados Unidos, as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump também aumentaram a pressão sobre os resultados da companhia, especialmente pelo impacto nos veículos importados.
Cortes e mudanças na produção
Como parte do plano de redução de custos, a Volkswagen também prevê cortes de até 100 mil postos de trabalho até o fim da década e o encerramento das atividades em quatro fábricas na Alemanha, de acordo com as informações citadas na reportagem.
A unidade de Wolfsburg, responsável pela produção do Golf, estaria abaixo da meta de economia estabelecida pela empresa. O planejamento mencionado prevê ainda a transferência da produção do hatch elétrico para o México a partir de 2027.
Por enquanto, a interrupção do desenvolvimento representa mais um adiamento para a chegada de uma versão totalmente elétrica do Golf. A Volkswagen mantém o projeto, mas sua retomada dependerá da recuperação financeira e da disponibilidade de recursos.