Falhas no motor, perda de potência e dificuldade para dar partida estão entre os sinais que podem indicar problemas na qualidade do combustível utilizado no veículo. Quando esses sintomas aparecem pouco tempo depois de abastecer, é comum que o motorista desconfie de gasolina ou etanol adulterado. No entanto, identificar a origem do problema exige alguns cuidados, já que defeitos em outros componentes também podem provocar sintomas semelhantes.
Entre os sinais que merecem atenção estão engasgos durante a aceleração, funcionamento irregular do motor em marcha lenta, dificuldade na partida e o acendimento da luz da injeção eletrônica no painel. Em determinadas situações, o veículo também pode apresentar perda de desempenho.
O aumento do consumo, por outro lado, não deve ser associado automaticamente à adulteração. Calibragem dos pneus, trânsito intenso, uso do ar-condicionado e manutenção atrasada também podem influenciar a quantidade de combustível consumida.
ADULTERADO, CONTAMINADO OU FORA DA ESPECIFICAÇÃO
Nem todo combustível irregular é necessariamente adulterado. Existe diferença entre adulteração, contaminação e produto fora das especificações estabelecidas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A adulteração envolve a mistura intencional de substâncias não permitidas ou em proporções irregulares. Já a contaminação pode acontecer sem intenção, como nos casos de presença de água ou impurezas durante o transporte e armazenamento. O combustível fora da especificação é aquele que não atende aos parâmetros de qualidade exigidos pela agência, independentemente da causa.
COMO VERIFICAR A QUALIDADE NO POSTO
O consumidor pode solicitar ao estabelecimento os testes de qualidade previstos nas normas da ANP. Para a gasolina, um dos procedimentos disponíveis é o teste da proveta, que verifica a proporção de etanol anidro presente na mistura.
No caso do etanol hidratado, o posto deve disponibilizar um termodensímetro, equipamento utilizado para auxiliar na avaliação das características do produto. Também é possível observar se o combustível apresenta aspecto límpido e sem impurezas.
Esses procedimentos, entretanto, não identificam todas as formas de adulteração ou contaminação. Mesmo quando os resultados parecem normais, não há garantia de que o produto esteja completamente livre de irregularidades. A confirmação depende de análises laboratoriais, como as realizadas durante fiscalizações da ANP.
APLICATIVO PERMITE CONSULTAR POSTOS E FAZER DENÚNCIAS
Desde julho de 2026, a ANP disponibiliza o aplicativo ANP com VC – Postos, ferramenta que permite consultar estabelecimentos autorizados e acessar informações como endereço, CNPJ, produtos comercializados e fornecedor do combustível.
O aplicativo também apresenta uma nota de zero a cinco para cada posto, calculada com base no histórico de fiscalizações, com maior peso para infrações mais recentes. A pontuação, porém, não representa uma certificação permanente de qualidade nem garante que o combustível vendido naquele momento esteja dentro das especificações.
A plataforma também oferece canais para registrar denúncias relacionadas a preços abusivos e outras infrações, incluindo suspeitas de comercialização de combustível irregular.
Para fazer uma reclamação, o consumidor deve informar, sempre que possível, a data e o horário do abastecimento, o tipo de combustível, o número da bomba e o motivo da suspeita. A recusa do estabelecimento em realizar os testes solicitados também pode ser relatada.
O QUE FAZER SE O CARRO APRESENTAR PROBLEMAS
Caso o veículo apresente falhas graves, cheiro forte de combustível, fumaça ou risco de o motor apagar durante a condução, a orientação é parar em um local seguro e solicitar assistência, evitando continuar a viagem.
O motorista também deve guardar a nota fiscal do abastecimento, que permite identificar o estabelecimento, a data, o produto e o volume adquirido. Em seguida, é importante procurar uma oficina e informar onde e quando ocorreu o último abastecimento.
Outro cuidado é solicitar que o mecânico registre por escrito os códigos de falha identificados pelo sistema eletrônico e os resultados do diagnóstico. Esse documento pode ser importante caso seja necessário comprovar que o problema está relacionado ao combustível.
QUEM PAGA PELO PREJUÍZO?
De acordo com o Código de Defesa do Consumidor, o fornecedor pode ser responsabilizado pelos danos causados por produtos que apresentem vícios de qualidade. Assim, um posto que comercialize combustível fora das especificações pode responder pelos prejuízos provocados ao consumidor, conforme as circunstâncias e as provas reunidas.
Para buscar o ressarcimento, é importante conservar a nota fiscal, o diagnóstico da oficina, os orçamentos e comprovantes dos reparos realizados, além de eventuais resultados de testes ou fiscalizações. Caso não haja acordo com o estabelecimento, o consumidor pode procurar o Procon ou recorrer à Justiça.
Antes de abastecer em um posto desconhecido, a recomendação é consultar o histórico disponível no aplicativo da ANP, observar as condições das bombas e solicitar sempre a nota fiscal. Preços muito abaixo da média da região também merecem atenção, embora, isoladamente, não comprovem irregularidade.