Enquanto a Seleção Brasileira busca encerrar um jejum que já dura mais de duas décadas, a Copa do Mundo de 2026 também desperta uma forte nostalgia entre os brasileiros. A última vez que o país levantou a taça foi em 2002, na Coreia do Sul e no Japão, quando o time comandado por Luiz Felipe Scolari conquistou o pentacampeonato.
 
Naquele período, o Brasil era completamente diferente. Não existiam redes sociais como conhecemos hoje, os celulares ainda eram simples, a internet era lenta e o mercado automotivo vivia um cenário dominado pelas tradicionais montadoras nacionais.
 
Gol era o rei absoluto das ruas
 
 
Se hoje SUVs disputam a liderança do mercado, em 2002 quem mandava era o Volkswagen Gol.
 
O hatch liderava as vendas pela 15ª vez consecutiva e ultrapassava a marca de 208 mil unidades emplacadas no ano, consolidando-se como o carro mais vendido do Brasil.
 
Ao seu lado, modelos como Fiat Uno Mille, Chevrolet Celta, Palio e Corsa dominavam as ruas do país.
 
Kombi, Santana e Mille resistiam ao tempo
 
 
Outro retrato daquela época era a longa vida de projetos consagrados.
 
A Volkswagen Kombi, já considerada veterana, continuava entre os veículos mais vendidos do país, principalmente para uso comercial.
 
O Volkswagen Santana ainda era muito utilizado por taxistas, empresas e órgãos públicos, enquanto o Fiat Uno Mille seguia firme como uma das opções mais acessíveis do mercado brasileiro.
 
Todos eles permaneceriam em produção por vários anos antes de deixarem definitivamente as concessionárias.
 
Corolla ganhou fama com campanha estrelada por Brad Pitt
 
Entre os grandes lançamentos daquele período estava a chegada da nova geração do Toyota Corolla.
 
Além do projeto completamente renovado, o sedã ficou conhecido pela campanha publicitária internacional estrelada pelo ator Brad Pitt, ajudando a consolidar o modelo como um dos sedãs médios mais desejados do país.
 
Foi justamente nessa geração que Corolla e Honda Civic começaram a dominar o segmento de sedãs médios no Brasil.
 
Compactos ficaram mais sofisticados
 
O ano de 2002 também marcou a chegada de uma nova geração de compactos.
 
A Chevrolet lançou o Corsa C, enquanto a Volkswagen trouxe o novo Polo nacional. Pouco depois, a Ford também apresentou o Fiesta de nova geração.
 
Esses modelos inauguraram um segmento que passou a oferecer carros compactos com acabamento mais refinado, equipamentos inéditos e maior conforto, posicionando-se acima dos populares tradicionais.
 
Fiat apostava em inovação
 
 
Na época do penta, a Fiat apresentou um dos lançamentos mais comentados do mercado: o Doblò.
 
Apesar do visual polêmico, o modelo chamou atenção pela versatilidade, espaço interno e opção para sete ocupantes, características pouco comuns entre veículos nacionais naquele momento.
 
A campanha publicitária utilizando a música "Like a Virgin", de Madonna, tornou-se uma das mais marcantes da publicidade automotiva brasileira.
 
O início da febre dos carros personalizados
 
 
Outro fenômeno que marcou 2002 foi a explosão da cultura do tuning.
 
Impulsionados pelo sucesso do filme Velozes e Furiosos, jovens passaram a investir em rodas esportivas, neons, aerofólios, kits de carroceria e sistemas de som potentes, transformando a personalização automotiva em uma verdadeira tendência nacional.
 
Mercado vivia momento de transformação
 
Naquele período, o Brasil enfrentava um cenário econômico desafiador. A alta do dólar elevava o preço dos importados e fazia diversas marcas reduzirem suas operações no país.
 
Ao mesmo tempo, montadoras como Toyota, Honda e outras fabricantes asiáticas começavam a conquistar espaço entre os consumidores brasileiros, iniciando uma mudança que transformaria o mercado nos anos seguintes.
 
Hoje, 24 anos depois do pentacampeonato, o cenário automotivo é completamente diferente. SUVs lideram as vendas, carros eletrificados ganham espaço, tecnologias de assistência ao motorista se popularizaram e a conectividade faz parte da rotina dos veículos.
 
Mas para muitos brasileiros, basta começar uma Copa do Mundo para que a memória volte automaticamente a 2002 — uma época em que Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho levantavam a taça enquanto Gol, Uno Mille, Corsa, Palio e Corolla dominavam as ruas do país.