Morreu na manhã desta quinta-feira (10), em São Paulo, aos 93 anos, Claudio Carsughi, um dos nomes mais importantes da história do jornalismo esportivo e automobilístico brasileiro. O jornalista estava internado havia 27 dias após ser acometido por uma infecção respiratória. A morte foi comunicada por sua filha, Claudia Carsughi.
 
Considerado uma referência na cobertura de automobilismo e Fórmula 1, Carsughi construiu uma carreira de mais de seis décadas, marcada pelo conhecimento técnico, precisão nas análises e pelo pioneirismo na imprensa especializada.
 
Do jornalismo italiano ao Brasil
 
Nascido em Arezzo, na Itália, em 13 de outubro de 1932, Claudio Carsughi chegou ao Brasil em 1946, ainda adolescente, após o fim da Segunda Guerra Mundial. A família se estabeleceu em São Paulo.
 
Sua relação com o jornalismo começou ainda jovem. Em 1950, passou a colaborar como correspondente do jornal italiano Corriere dello Sport, produzindo informações sobre os preparativos para a Copa do Mundo realizada no Brasil naquele ano. Posteriormente, também trabalhou para outras publicações italianas.
 
Carsughi chegou a cursar Engenharia Civil na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, mas acabou seguindo definitivamente a carreira jornalística.
 
Pioneiro na Fórmula 1
 
Em 1957, foi contratado pela então Rádio Pan-Americana, que posteriormente se tornou a Jovem Pan. Foi na emissora que consolidou seu nome como comentarista de futebol e, principalmente, de automobilismo.
 
Carsughi esteve entre os profissionais que acompanharam a Fórmula 1 desde os primeiros anos da categoria e é reconhecido como um dos pioneiros da cobertura detalhada do Mundial no Brasil. Ao longo da carreira, acompanhou de perto grandes momentos do automobilismo e tornou-se conhecido pela abordagem técnica e pela utilização de estatísticas em suas análises.
 
Na Jovem Pan, permaneceu por décadas, entre períodos de afastamento e retorno, até 2015. Também passou pelas rádios Bandeirantes e Record, além de veículos impressos e televisivos.
 
Referência no jornalismo automotivo
 
A trajetória de Carsughi também foi marcada por testes e avaliações de automóveis. Durante cerca de 25 anos, utilizou seu conhecimento de engenharia e mecânica em trabalhos para a revista Quatro Rodas, onde se tornou uma das principais referências do jornalismo automotivo brasileiro.
 
Entre os momentos marcantes está o teste do Volkswagen Gol, realizado em 1980, quando o modelo ainda era uma novidade da indústria nacional.
 
Ele também foi responsável por testar veículos de diferentes fabricantes ao longo de sua carreira, sempre com análises baseadas em aspectos técnicos e de comportamento dos automóveis.
 
Mais de seis décadas de jornalismo
 
Além da Jovem Pan e da Quatro Rodas, Carsughi trabalhou ou colaborou com veículos como Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde, Placar, ESPN Brasil e SporTV. Também acompanhou cinco edições da Copa do Mundo, entre 1970 e 1986.
 
No automobilismo, sua experiência atravessou diferentes gerações da Fórmula 1. Em 1994, durante o Grande Prêmio de San Marino, em Ímola, Carsughi foi o primeiro jornalista brasileiro a noticiar pela Jovem Pan a morte de Ayrton Senna, segundo registros de sua trajetória profissional.
 
Legado
 
Conhecido por colegas e admiradores como “Mestre Carsughi”, o jornalista também criou seu próprio portal na internet, reunindo conteúdos sobre automobilismo, indústria automotiva, motociclismo, futebol e outros assuntos.
 
Sua filha, Claudia Carsughi, que também atua no jornalismo, passou a dirigir o portal e é autora da biografia Claudio Carsughi – Meus 50 Anos de Brasil.
 
A morte de Claudio Carsughi encerra uma trajetória de mais de 60 anos dedicada ao jornalismo, deixando um legado especialmente forte na cobertura da Fórmula 1 e do setor automotivo brasileiro.