O Brasil está avançando na criação de uma indústria de aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical, os chamados eVTOLs. A primeira fábrica da categoria no país será instalada em Taubaté, no Vale do Paraíba, em São Paulo, pela Eve Air Mobility, empresa ligada à Embraer. A companhia trabalha para iniciar a produção comercial dentro do cronograma previsto para o programa, com capacidade que poderá chegar a 480 aeronaves por ano.
 
A unidade será instalada em uma área que já pertenceu à Embraer. O projeto foi planejado de forma modular, permitindo ampliar a produção conforme a evolução do mercado.
 
Produção poderá chegar a 480 aeronaves
 
Na configuração inicial, a fábrica terá capacidade para produzir 120 eVTOLs por ano. A expansão poderá ser realizada em quatro módulos de produção, cada um com capacidade adicional de 120 aeronaves, chegando ao limite de 480 unidades anuais.
 
A Eve já recebeu financiamento de R$ 500 milhões do BNDES para apoiar o desenvolvimento da fábrica em Taubaté. O local escolhido também aproveita a estrutura industrial existente, o que reduz a necessidade de construir uma unidade completamente nova.
 
Eve 100 será produzido no interior de São Paulo
 
O modelo que está sendo desenvolvido pela empresa é o Eve 100, uma aeronave totalmente elétrica voltada à mobilidade aérea urbana e a deslocamentos regionais de curta distância.
 
O projeto utiliza a configuração lift plus cruise, que separa as funções de decolagem vertical e voo de cruzeiro. São oito rotores dedicados ao voo vertical, enquanto as asas fixas proporcionam sustentação durante o deslocamento horizontal. Na parte traseira, há um sistema de propulsão elétrica responsável pelo avanço da aeronave.
 
Na configuração inicial, o eVTOL terá espaço para um piloto e quatro passageiros. A aeronave foi projetada para alcançar aproximadamente 100 quilômetros de autonomia, distância que, segundo a Eve, atende à maior parte das missões previstas para mobilidade aérea urbana.
 
Protótipos serão utilizados na certificação
 
Antes da produção comercial, a Eve precisa concluir uma extensa campanha de testes e certificação.
 
A empresa prevê a fabricação de seis protótipos de conformidade para a campanha de certificação. As aeronaves serão produzidas em instalações da Embraer em São José dos Campos e terão papel importante na comprovação de segurança e confiabilidade do projeto.
 
A certificação brasileira é conduzida em conjunto com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Em julho de 2026, a agência abriu uma consulta setorial sobre critérios atualizados de aeronavegabilidade para o Eve 100, representando mais uma etapa do processo de certificação.
 
Projeto já está em fase de testes de voo
 
O projeto deixou a etapa puramente conceitual e já entrou em uma fase avançada de ensaios.
 
O protótipo em escala real realizou seu primeiro voo em dezembro de 2025. Em agosto de 2026, a Eve anunciou que a aeronave havia realizado seu primeiro voo parcial de transição, acionando pela primeira vez em voo a hélice traseira de propulsão. O teste marcou o início da passagem do voo vertical para o voo sustentado pelas asas.
 
Quando os eVTOLs começarão a voar comercialmente?
 
A Eve trabalha com 2028 como referência para a entrada em comercialização, enquanto a certificação e os testes continuam avançando. Em seus documentos mais recentes, a empresa afirma que atualmente prevê o início da comercialização do eVTOL e dos serviços relacionados a partir de 2028.
 
A operação, porém, depende da conclusão do processo de certificação e da implantação da infraestrutura necessária, como vertiportos, pontos de recarga e estrutura de apoio.
 
O objetivo é utilizar os eVTOLs como uma espécie de táxi aéreo elétrico, principalmente em deslocamentos urbanos e regionais nos quais o transporte terrestre apresenta longos tempos de viagem. A Eve já possui milhares de pedidos e cartas de intenção de clientes de diferentes países.
 
Assim, Taubaté poderá se tornar um dos principais centros da nova indústria de mobilidade aérea elétrica, com uma fábrica capaz de produzir inicialmente 120 aeronaves por ano e, em uma expansão futura, alcançar 480 unidades.