Comprar um carro usado ou seminovo costuma parecer a opção mais econômica, principalmente por causa do preço inicial mais baixo. Porém, quando a aquisição é feita por financiamento, essa diferença pode diminuir consideravelmente. Em alguns casos, as taxas cobradas para veículos usados fazem com que o valor total pago se aproxime do custo de um carro novo.
 
O cenário chama atenção em um mercado que registrou 7,3 milhões de veículos financiados em 2025, segundo dados da B3. Desse total, 4,6 milhões eram usados, enquanto 2,6 milhões eram veículos novos.
 
Por que o carro usado pode ficar mais caro no financiamento?
 
A principal diferença está na taxa de juros. Bancos e financeiras costumam considerar o financiamento de um veículo usado uma operação de maior risco, especialmente quando o automóvel tem mais tempo de uso.
 
Já os carros 0 km podem contar com taxas subsidiadas pelos bancos das próprias montadoras, uma estratégia utilizada pelas fabricantes para estimular as vendas. Com isso, mesmo partindo de um preço maior, o veículo novo pode apresentar condições de financiamento mais favoráveis.
 
Em janeiro de 2026, a taxa média de juros para financiamento de veículos estava em 1,97% ao mês, equivalente a 26% ao ano, segundo dados do Banco Central citados pela Quatro Rodas. As taxas máximas chegavam a 3,28% ao mês, ou 47,23% ao ano.
 
Na prática, a diferença pode diminuir
 
Uma simulação feita com um Volkswagen Polo Track ajuda a entender a situação.
 
Um modelo seminovo ano/modelo 2024/2025, avaliado em R$ 74.800, teria entrada de R$ 44.880 e outras 60 parcelas de R$ 1.107. Ao final, o consumidor desembolsaria aproximadamente R$ 111.300.
 
Já um Polo Track 0 km, de R$ 95.490, com entrada de R$ 57.294 e financiamento em 60 parcelas de R$ 1.090, chegaria a um custo total de aproximadamente R$ 122.745.
 
Ou seja, apesar de a diferença de preço dos veículos ser de mais de R$ 20 mil, ela cai para cerca de R$ 11,4 mil quando considerados os valores pagos ao longo do financiamento.
 
A mesma lógica aparece em veículos de categorias superiores. Em uma simulação com o Jeep Compass Longitude, a diferença entre um seminovo e um modelo 0 km ficou em aproximadamente R$ 24,6 mil no custo total do financiamento.
 
Carro novo também pode ter outra vantagem
 
Além da taxa de financiamento, o veículo 0 km normalmente começa sua vida útil sem a necessidade imediata de manutenções relacionadas ao desgaste.
 
No caso de um seminovo, o comprador pode precisar realizar serviços como troca de óleo, filtros ou outros itens de manutenção pouco tempo depois da aquisição. Esses gastos precisam entrar na conta antes de decidir qual opção realmente vale mais a pena.
 
Isso não significa que comprar um usado seja um mau negócio. O ponto é que o preço anunciado não deve ser o único critério utilizado na comparação.
 
Score também influencia os juros
 
Outro fator importante é o perfil financeiro do comprador. O chamado score de crédito pode influenciar a aprovação do financiamento, o valor da entrada exigida e as condições oferecidas pela instituição financeira.
 
Quanto menor o risco percebido pelo banco, maiores podem ser as possibilidades de conseguir condições mais favoráveis. Por isso, duas pessoas podem receber propostas diferentes para financiar exatamente o mesmo veículo.
 
O que analisar antes de financiar?
 
Antes de fechar negócio, o consumidor deve comparar não apenas o valor da parcela, mas principalmente o Custo Efetivo Total (CET) da operação. Ele reúne juros, impostos, tarifas e demais encargos envolvidos no financiamento.
 
Também é recomendável:
  • comparar propostas de diferentes instituições financeiras;
  • dar a maior entrada possível, se isso não comprometer a reserva financeira;
  • avaliar um prazo menor de financiamento;
  • verificar tarifas adicionais;
  • pesquisar o histórico e as condições do veículo usado;
  • calcular o custo total da operação, e não apenas o valor da parcela.
 
No fim, um carro usado nem sempre será a opção mais barata quando comprado a prazo. A taxa de juros pode reduzir boa parte da vantagem obtida no preço de compra, enquanto promoções e juros subsidiados podem tornar um 0 km mais competitivo do que parece.