A Rodovia Castello Branco, em São Paulo, receberá novos radares equipados com inteligência artificial para reforçar a fiscalização de trânsito. A tecnologia será incorporada ao sistema de monitoramento da Ecovias Raposo Castello, concessionária que também utiliza equipamentos semelhantes na Rodovia Raposo Tavares.
 
Os novos equipamentos serão capazes de identificar comportamentos que podem caracterizar infrações, como o uso de celular ao volante e a falta do cinto de segurança por motoristas e passageiros.
 
Como funcionará a fiscalização
 
As câmeras operarão 24 horas por dia e poderão registrar imagens de veículos em movimento durante o dia e à noite. Os equipamentos utilizam inteligência artificial para analisar o comportamento dentro dos veículos e identificar possíveis irregularidades.
 
Apesar da tecnologia, as câmeras não aplicam multas automaticamente. As imagens são encaminhadas aos órgãos responsáveis pela fiscalização, que fazem a análise e decidem se a ocorrência realmente configura uma infração.
 
A mesma lógica será utilizada na Castello Branco. A concessionária será responsável pelo monitoramento e pelo envio das imagens, enquanto a eventual autuação ficará a cargo da autoridade de trânsito competente.
 
Sistema já registra milhares de flagrantes
 
A tecnologia já está em funcionamento em um trecho da Rodovia Raposo Tavares. Duas câmeras com inteligência artificial foram instaladas em março de 2026, nos quilômetros 17 e 18, na capital paulista.
 
Segundo dados divulgados pela concessionária, os equipamentos registraram mais de mil infrações em apenas três dias durante a fase inicial de testes, período em que os flagrantes ainda não resultavam em multas.
 
A maior parte das ocorrências estava relacionada ao não uso do cinto de segurança. Passageiros responderam por 40% dos registros, enquanto motoristas sem o equipamento representaram outros 30%. O uso do celular ao volante também correspondeu a 30% das infrações identificadas.
 
Em outro projeto, realizado nos trechos Sul e Leste do Rodoanel, radares e sensores inteligentes registraram 4.879 infrações em 28 dias, entre 12 de maio e 9 de junho. Do total, 2.420 ocorrências envolviam motoristas sem cinto de segurança, 1.440 estavam relacionadas a passageiros sem o equipamento e 1.019 foram flagrantes de uso de celular ao volante.
 
Tecnologia também pode identificar situações de risco
 
Além da fiscalização de infrações, os equipamentos podem ser utilizados para monitorar situações de risco nas rodovias.
 
Durante os testes, as câmeras registraram acidentes e outras ocorrências, mostrando que a tecnologia pode funcionar como uma ferramenta de acompanhamento permanente das estradas e auxiliar na identificação de situações que exigem atenção das autoridades.
 
Por outro lado, o sistema ainda possui limitações. Segundo a concessionária, atualmente as câmeras não identificam situações como veículos parados, pedestres na pista, objetos sobre a rodovia ou transporte inadequado de crianças. A empresa avalia ampliar as funcionalidades futuramente.
 
Multas podem chegar a R$ 293,47
 
O não uso do cinto de segurança, inclusive por passageiros, é considerado infração grave pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A penalidade é de R$ 195,23 e cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
 
Já dirigir segurando ou manuseando telefone celular é considerado infração gravíssima. Nesse caso, a multa é de R$ 293,47, com acréscimo de sete pontos na CNH.
 
A identificação pelas câmeras, entretanto, não significa que a multa seja aplicada automaticamente. Cada ocorrência precisa ser analisada e validada pelos órgãos responsáveis pela fiscalização.
 
Expansão ainda não tem data definida
 
A chegada dos radares inteligentes à Castello Branco ainda depende da definição dos pontos de instalação e do cronograma de operação. Também não há uma data definida para o início da fiscalização por meio dos novos equipamentos.
 
A tecnologia faz parte de uma expansão do uso de inteligência artificial no monitoramento das rodovias paulistas. Com os sistemas já utilizados na Raposo Tavares e no Rodoanel, a expectativa é ampliar a capacidade de identificação de infrações sem depender exclusivamente da presença física de agentes nas rodovias.